Drew Angerer/Getty Images/AFP
Drew Angerer/Getty Images/AFP

Revista científica apoia Biden e rompe neutralidade nas eleições dos EUA pela 1ª vez em 175 anos

Criada em 1845, a Scientific American acusou Trump de mentir para população a respeito da pandemia de coronavírus e outros assuntos

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2020 | 09h00

WASHINGTON — A revista Scientific American anunciou seu apoio ao candidato democrata Joe Biden à presidência dos Estados Unidos. É a primeira vez que a publicação, uma das mais notórias do mundo no ramo científico, endossa a campanha de um concorrente à Casa Branca desde a sua criação, em 1845. 

Em um editorial publicado nesta terça-feira, 15, a Scientific American faz um apelo para que seus leitores votem no ex-vice em vez do presidente Donald Trump, que tenta a reeleição em 3 de novembro. A revista afirma que o atual chefe da Casa Branca, ao "rejeitar as evidências e a ciência", "prejudicou gravemente os Estados Unidos e seu povo".

"O exemplo mais devastador é sua resposta desonesta e inepta à pandemia da covid-19, que custou a vida a mais de 190 mil americanos até meados de setembro. Ele também atacou proteções ambientais, cuidados médicos e os pesquisadores e agências públicas de ciência que ajudam este país a se preparar para seus maiores desafios", diz a revista.

Com 175 anos e voltada para a divulgação científica, a Scientific American é a mais antiga revista publicada mensalmente e de forma contínua nos Estados Unidos. Até o momento, os EUA são o país com o maior número absoluto de mortos e infectados pelo novo coronavírus: ao todo, mais de 195 mil pessoas morreram e 6,5 milhões se contaminaram com o vírus.

A atuação de Trump foi questionada por ter menosprezado a pandemia e forçado a retomada das atividades no território americano antes que a doença estivesse controlada. O presidente também divulgou informações falsas sobre a covid-19 e deu conselhos errados para evitar a doença, como a ingestão de desinfetantes. 

Em seu anúncio, a revista também ressalta que Trump foi alertado diversas vezes sobre a gravidade da pandemia, ainda no início do ano. Porém, como enfatiza a publicação, o presidente não criou uma estratégia nacional de prevenção ao vírus. Ao longo de todo editorial, a Scientific American questiona a postura do republicano em relação ao coronavírus, pontuando, entre outras coisas, seu desrespeito às medidas de segurança ao fazer comícios e eventos eleitorais, além de desencorajar o uso de máscaras.

'Mentiras aos americanos'

A publicação acusa ainda o presidente de mentir aos americanos, já que ele mesmo reconheceu, em conversas com o jornalista Bob Woodward, que a covid-19 era uma questão grave. O repórter investigativo publicou um livro com as declarações de Trump, em que ele também alega que "amenizou" as informações sobre a doença. 

"Suas mentiras encorajaram as pessoas a se envolverem em comportamentos de risco, espalhando o vírus ainda mais, e criaram fraturas entre os americanos que levam a ameaça a sério e aqueles que acreditam nas falsidades de Trump. A Casa Branca chegou a produzir um memorando atacando a perícia do principal médico infectologista do país, Anthony Fauci, em uma tentativa desprezível de semear mais desconfiança", afirmou a revista.

Propostas sólidas

Por sua vez, a publicação descreve o adversário de Trump como alguém que tem "propostas sólidas" para controlar a covid-19, melhorar a saúde nos Estados Unidos, além de reduzir as emissões de carbono e "restaurar o papel da ciência legítima na formulação de políticas públicas". 

"É por isso que pedimos que você vote em Joe Biden, que está oferecendo planos baseados em fatos para proteger nossa saúde, nossa economia e o meio ambiente. Essas e outras propostas que ele apresentou podem colocar o país de volta no caminho para um futuro mais seguro, mais próspero e mais justo". / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.