MIKE SARGENT / AFP
MIKE SARGENT / AFP

Revista divulga gravação em que Reagan faz comentários racistas sobre africanos

Em áudio descoberto pelo ex-diretor da Biblioteca Presidencial Richard Nixon e publicado pela 'The Atlantic', o então governador da Califórnia se refere a diplomatas africanos que votaram na ONU pelo reconhecimento da China como 'macacos'

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 14h58

WASHINGTON - Quando era governador da Califórnia, em 1971, Ronald Reagan fez comentários racistas sobre africanos, chamando-os de macacos em uma conversa por telefone com o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, que foi descoberta recentemente.

A gravação do telefonema, datada de outubro de 1971, foi revelada por Tim Naftali, ex-diretor da Biblioteca Presidencial Richard Nixon, e suas descobertas foram publicadas na noite de terça-feira, 30, no site da revista The Atlantic.

A gravação corresponde a uma chamada que Reagan fez a Nixon depois que as Nações Unidas votaram para reconhecer a República Popular da China.

Reagan, que chegou à presidência em 1980, era um fervoroso defensor de Taiwan e ligou para Nixon para desabafar sua ira contra as nações africanas que desafiaram Washington e votaram na ONU para outorgar reconhecimento à República Popular.

Na conversa, Reagan criticou os países africanos que se opunham aos Estados Unidos. "Vendo aqueles macacos de países africanos, malditos sejam, que não estão nem confortáveis usando sapatos", disse ele.

Nixon respondeu com uma grande gargalhada e repetiu alegremente os comentários de Reagan em outras conversas gravadas com seus assessores.

Naftali, que atualmente trabalha como professor na Universidade de Nova York, disse que a parte da fita contendo os comentários de Reagan foi inicialmente retida para proteger sua privacidade, mas a versão completa foi divulgada pelo National Archives duas semanas atrás.

O presidente Donald Trump foi acusado de fazer comentários racistas repetidamente e foi recentemente repreendido pela Câmara dos Deputados, controlada pela oposição democrata, por seus ataques a quatro parlamentares de minorias. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.