Revista satírica da França reage após ataque

Cartunistas de uma revista semanal da França que foi atacada por um coquetel molotov após publicar uma imagem do profeta Maomé reagiram, veiculando trabalhos em outra publicação nesta quinta-feira.

AE, Agência Estado

03 de novembro de 2011 | 11h24

A equipe da revista Charlie Hebdo fez uma série de cartoons para a mais recente edição do jornal de esquerda Libération, com comentários bem-humorados sobre o ataque que destruiu o escritório da revista na quarta-feira.

"Após a Grécia, salvem a ''Charlie''", afirma o título de um desenho na capa por "Catherine", uma das cartunistas publicadas. Outras charges foram veiculadas nas primeiras três páginas do Libération. O jornal foi um dos vários meios que apoiaram a revista, bem como jornalistas e políticos.

Os políticos da França rapidamente condenaram o ataque ocorrido em Paris. "A liberdade de expressão é um direito inalienável em nossa democracia, e todos os ataques contra a liberdade de imprensa devem ser condenados com a maior firmeza", afirmou o primeiro-ministro François Fillon em comunicado. "Nenhuma causa pode justificar tal ato de violência.

O ministro do Interior, Claude Gueant, disse a jornalistas que tudo será feito para encontrar os autores do ataque. O candidato do Partido Socialista à presidência no ano que vem, François Hollande, também condenou a violência.

O ataque ocorreu um dia após a revista renomear sua edição semanal para "Charia Hebdo", em uma referência à sharia (lei islâmica), e retratar na capa o profeta Maomé dizendo: "100 chibatadas se você não morrer de rir!". O islamismo proíbe a representação do profeta.

O site da revista também foi aparentemente alvo de um ataque de hackers na quarta-feira. A polícia informou que o incêndio na redação da revista começou por volta da 1h da quarta-feira. Ninguém se feriu no incêndio, que segundo uma fonte da polícia foi causado por uma bomba feita com gasolina.

Em 2007, um tribunal de Paris arquivou um processo de duas organizações muçulmanas contra a Charlie Hebdo pelo fato de a revista republicar charges de Maomé inicialmente veiculadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. Essas charges geraram furiosos protestos pelo mundo. Na quarta-feira, o diário enviou uma mensagem de solidariedade à revista. As informações são da Dow Jones.

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