REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Revolta e desespero tomam conta da população com novo apagão na Venezuela

Panelaços e buzinaços foram registrados na madrugada de terça-feira para quarta-feira, com Caracas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2019 | 12h48

A revolta e o desespero são cada vez maiores  à medida que passam as horas e o apagão que afeta a Venezuela desde segunda-feira não tem uma solução. O blecaute é o segundo a nível nacional em menos de um mês. 

"As mercadorias estragam, não há água, o transporte quase não funciona, não há comunicação. Não sei o que acontece com a minha família, a insegurança aumenta", afirmou Néstor Carreño, gerente de uma pizzaria de um bairro nobre de Caracas que teve que fechar as portas.

Panelaços e buzinaços foram registrados na madrugada de terça-feira para quarta-feira, com a capital completamente no escuro. Em alguns bairros, a energia elétrica voltava, mas logo depois era cortada, sem uma perspectiva de solução definitiva.

O país de 30 milhões de habitantes voltou a ficar no escuro poucos dias depois da maior falha elétrica de sua história, que começou em 7 de março e durou quase uma semana. Além da capital, o apagão afeta 21 dos 23 estados do país, de acordo com usuários de redes sociais. O governo do presidente Nicolás Maduro não divulga informações sobre o impacto deste tipo de emergência.

A falha começou na segunda-feira às 13h22 (14h22 de Brasília) e provocou o colapso do fornecimento de água, das redes de telefonia e internet e dos bancos eletrônicos, setor vital ante a falta de dinheiro em cédula em função da hiperinflação. O corte de energia elétrica de uma semana no início do mês afetou com força os hospitais, já penalizados pela falta de insumos e medicamentos. ONGs afirmaram que pelo menos 10 pacientes morreram em consequência do apagão. 

Os apagões são frequentes no país com as maiores reservas de petróleo do mundo. Sem apresentar provas, Maduro atribuiu o novo apagão a "terroristas" apoiados por Washington e ampliou para esta quarta-feira o feriado nacional.

Tensão em sessão do Parlamento

Em um discurso no Parlamento de maioria opositora, o presidente do Legislativo, Juan Guaidó, rebateu a versão do governo. "Não há nenhuma explicação sensata, confiável, já que não é um ciberataque ou um pulso eletromagnético, agora é uma sabotagem, quando eles militarizaram todas as instalações elétricas", afirmou o opositor, reconhecido como presidente encarregado da Venezuela por mais de 50 países.

O ambiente era tenso na capital venezuelana. Deputados e jornalistas foram agredidos por partidários do chavismo nas proximidades do Parlamento venezuelano, após uma sessão presidida por Guaidó, segundo congressistas e organizações de imprensa. Os incidentes aconteceram após uma sessão na qual Guaidó criticou a presença de militares da Rússia no país no fim de semana passado./ AFP

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