Angelos Tzortzinis/AFP
Angelos Tzortzinis/AFP

Revolta em cidade costeira da Grécia, onde 'ninguém chega' para combater incêndios

No pequeno pequeno balneário de Asmini, mulheres gritam em cima dos telhados, enquanto homens vão para as ruas

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 18h53

ASMINI, GRÉCIA - "Onde estão os nossos? Imploramos para que alguém venha e ninguém chega", grita uma moradora. A revolta é grande no pequeno balneário de Asmini, no norte da ilha grega de Evia, devorada pelas chamas há uma semana.

As mulheres gritam e choram em cima dos telhados, dirigindo-se aos helicópteros que sobrevoam a cidade, mas que nunca pousam.

Os homens vão para as ruas. Todos se recusam a deixar o local, apesar das chamas que se aproximam irremediavelmente.

"Olha! Eles fazem o trabalho", exclama Dimitri, apontando para um caminhão de bombeiros eslovacos.

Como a maioria dos habitantes desta pequena cidade costeira, próxima a Pefki e onde as pessoas são resgatadas por mar, o jovem grego critica a falta de equipamentos e bombeiros de seu país.

Dos 870 bombeiros enviados para o norte de Evia, muitos vieram de Chipre, Eslováquia, Polônia, Sérvia, Ucrânia e Romênia, segundo os serviços de incêndios gregos.

A ordem de esvaziar Asmini, como dezenas de cidades do norte desta terra arborizada e montanhosa do leste de Atenas, foi dada nesta terça-feira, 10, à tarde.

Em oito dias, o fogo já destruiu centenas de casas e devastou mais de 49 mil hectares, segundo o sistema europeu de informação sobre incêndios em florestas (EFFIS).

Ao lado da praia de Asmini, cheia de bares e restaurantes, quatro helicópteros vão para o mar e lançam água nas distantes colinas arborizadas. 

"O fogo pode atingir a floresta, mas não as nossas casas!", implora Eleni, de 65 anos. Entre gritos e lágrimas no telefone com um interlocutor desconhecido, ela se desespera: "Para onde querem que a gente vá? Vou me afogar no mar!".

Sonhos transformados em fumaça

Um jipe deposita comida e garrafas de água no ponto de ônibus, que agora é um ponto de abastecimento de itens essenciais.

"Os sonhos se tornaram fumaça. Esta situação é interminável", lamenta o padre Efstathios.

"As cidades precisam da nossa ajuda e nosso apoio. É impossível abandoná-las nesses momentos difíceis", disse o sacerdote, usando uma máscara.

A irritação toma conta das ruas, assim como os rumores e as teorias.

"Temos certeza de que foi um incêndio criminoso", afirma a professora Iro Nikolaou, criticando os males da Grécia, que ela não hesita em qualificar como "país de terceiro mundo".

"Meus alunos de 15 anos foram apagar os incêndios, o que isso significa?", disse a professora.

De repente, uma voz alerta: "Ele foi preso!". Motos irrompem em meio à confusão. Começa a caça ao 'incendiário'. Todos buscam culpados e respostas. /AFP

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