Revolta na Tunísia é 'aviso para outros governos', diz líder árabe

Chefe da Liga Árabe diz que população está insatisfeita e alerta para disseminação de protestos

Associated Press

19 de janeiro de 2011 | 11h00

CAIRO - O secretário-geral da Liga Árabe disse nesta quarta-feira, 19, que os protestos que resultaram na queda do governo na Tunísia estão ligados às deterioradas condições econômicas do mundo árabe, alertando os líderes do Oriente Médio que a ira da população chegou a níveis sem precedentes.

 

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Na cúpula dos países árabes no Egito, Amr Moussa Dise que "a alma árabe está arruinada pela pobreza, pelo desemprego e pela recessão". "É assim que todos nós pensamos", disse Moussa na abertura da conferência, realizada em Sharm el-Sheikh.

 

Semanas de protestos contra o desemprego e as dificuldades econômicas na Tunísia - que posteriormente tomaram um viés político - forçaram o presidente Zine El Abidine Ben Ali, há 23 anos no poder, a fugir do país, mergulhando o país do norte africano em uma crise política.

 

O caso na Tunísia inspirou protestos similares no mundo árabe e clamores pela abertura política, embora os ativistas saibam que os militares desses países apoiam seus líderes conservadores.

 

"A revolução tunisina não está longe de nós. Os cidadãos árabes entraram em um estado sem precedentes de ira e frustração", disse Moussa, pedindo às lideranças que façam tudo para tirar o povo dessa situação. No encontro, seriam debatidas medidas econômicas para impulsionar o crescimento dos países árabes, mas os eventos na Tunísia ganharam a atenção dos líderes.

 

Países como o Omã, a Jordânia, o Egito, a Líbia e o Iêmen viram suas populações protestarem contra a situação econômica. Na Argélia e no Egito, homens têm ateado fogo contra si próprios em protesto contra o governo - uma manifestação semelhante foi o estopim para a revolta na Tunísia.

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