Revolta na Ucrânia anima oposição na Bielo-Rússia

"Hoje Ucrânia, amanhã Bielo-Rússia!", diz um cartaz fixado por Igor Stakh em uma barraca de acampamento no centro de Kiev. Outro cartaz, com o mesmo texto, durou apenas 20 minutos no centro da capital bielo-russa antes que a polícia o rasgasse.A Bielo-Rússia, que faz fronteira com a Ucrânia ao norte, é a última ditadura da Europa. O presidente Alexander Lukashenko reviveu a simbologia soviética, dissolveu o Parlamento, colocou a mídia sob um virtual monopólio estatal e submeteu o país ao isolamento internacional. O movimento do povo ucraniano por uma nova eleição presidencial inspirou dezenas de ativistas bielo-russos a correr para a Praça Independência de Kiev - epicentro do movimento ucraniano - para se fazerem ouvir. "A revolução laranja" - laranja é a cor da oposição ucraniana - "reacendeu a esperança nos bielo-russos e tem um significado colossal para nós", disse Stakh.Centenas de ativistas partiram da capital da Bielo-Rússia, Minsk, e de outras partes do país, encontrando uma causa comum na Praça Independência. "Os ucranianos tiveram uma revolução de mentalidade - todo cidadão percebe que o destino do país depende de seu voto", disse Anatoly Lebedko, líder do maior partido de oposição bielo-russo e que já esteve em Kiev duas vezes nas últimas semanas. "Os bielo-russos têm medo e ainda não acreditam que, com seus votos, podem remover Lukashenko".A Bielo-Rússia realizou um referendo presidencial em outubro, e observadores ocidentais denunciaram o resultado como fraudulento. As autoridades dizem que 80% da população concordou em permitir que Lukashenko disputasse um terceiro mandato, mas pesquisas indicam que não mais de 48% votaram a favor da segunda reeleição.

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