Revoltados, argentinos depredam trens

Polícia precisou intervir para conter manifestação violenta contra atrasos

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2008 | 00h00

Milhares de passageiros destruíram ontem de manhã dezenas de vagões e instalações das estações de trens dos municípios de Castelar e Merlo, na zona oeste da Grande Buenos Aires. Furiosos com os constantes atrasos dos trens da linha ferroviária Sarmiento - que transporta 9 milhões de pessoas por mês -, os passageiros promoveram piquetes para bloquear a ferrovia e apedrejaram as estações.A polícia, que interveio duas horas depois de iniciada a rebelião, dispersou os manifestantes com balas de borracha e gás lacrimogêneo.Os policiais detiveram oito manifestantes. Oito passageiros - sete idosos e uma criança - ficaram feridos.Os incidentes começaram na estação de Castelar, quando os passageiros atearam fogo nos vagões de um trem. Uma hora depois, tiveram início os incidentes em Merlo, onde os passageiros apedrejaram a estação e as composições. Lojas que funcionam nas estações também foram depredadas.O chefe de polícia da Província de Buenos Aires, Daniel Salcedo, no entanto, descartou a possibilidade de a rebelião ter sido causada pela insatisfação dos usuários. Segundo ele, os incidentes "não foram espontâneos". "Os autores são membros de grupos organizados", disse.Nos últimos 18 anos, desde o início da privatização do setor, o número de trens em funcionamento caiu 80%. O total de quilômetros de ferrovias em atividade caiu de 36 mil, em 1990, para apenas 14 mil.Os passageiros reclamam das péssimas condições do sistema de transporte ferroviário que liga os municípios da Grande Buenos Aires à capital argentina.Os usuários afirmam que viajam diariamente em trens repletos de passageiros, que registram atrasos freqüentes. Eles também dizem que a maioria dos vagões não tem vidro nas janelas e as poltronas estão semidestruídas.

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