REVOLUÇÃO DERRUBA MUBARAK

Renúncia foi anunciada pelo vice Omar Suleiman. Exército conduzirá os assuntos de Estado

João Coscelli, Luiz Raatz e Luciana Vicente - estadao.com.br,

11 Fevereiro 2011 | 14h10

Atualizada às 18h27

SÃO PAULO - O ditador egípcio, Hosni Mubarak, renunciou nesta sexta-feira, 11, ao cargo após 30 anos no poder. Ele sucumbiu a 18 dias de maciços protestos populares, desencadeados por uma onda de insatisfação com a economia e a corrupção, e inspiradas pela Revolução de Jasmin, que derrubou o ditador da Tunísia Zine Ben Ali. O Conselho Supremo do Exército, sob comando o ministro da Defesa Mohammed Hussein Tantawi, de 79 anos, liderará o país durante a transição para a democracia.

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A renúncia foi anunciada pelo vice Omar Suleiman.  "Diante das difíceis circunstâncias que o país está atravessando, o presidente Hosni Mubarak decidiu deixar a presidência da República. Os assuntos de Estado serão dirigidos pelo Conselho das Forças Armadas", disse Suleiman na TV estatal.

 

Êxtase. Após o anúncio,  milhares, senão milhões, de pessoas explodiram em êxtase e alegria nas ruas do país. "O Egito está livre! O Egito está livre!", gritaram.  No Twitter, o executivo do Google Wael Ghonim, que se tornou herói dos protestos após passar 12 dias presos, parabenizou o povo egípcio . "Bem-vindo de volta, Egito".

Em entrevista à CNN, Ghonim deu um recado vigoroso ao governo. "Estou orgulhoso de ser egípcio, do Egito e de seu povo. Parabéns a todos egípcios. A Hosni Mubarak, Omar Suleiman e todas pessoas que acreditam que estar no poder dá direito a oprimir o povo: No final das contas, nós temos escolha. Acabou para vocês", disse . "Somos mais fortes do que todos vocês. "

O ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohammed ElBaradei também comemorou. "Esse é o melhor dia da minha vida. O país está livre depois de décadas de repressão", disse.

 

Futuro. O Exército egípcio emitiu um comunicado dizendo que não vai abolir a autoridade civil e que apenas vai conduzir o país na transição rumo a um regime democrático. Em um tom pacificador, a instituição saudou Mubarak pelos serviços prestados ao país, os 'mártires' que morreram na revolução.  "Sabemos que, para a população, não somos uma alternativa legítima", disse um porta-voz.

 

 Um oficial militar egípcio de alta patente disse à CNN que o Exército discutia com a Suprema Corte a dissolução do gabinete de Mubarak e do Parlamento e a implementação do calendário eleitoral. Já segundo a Al-Arabya,  o Conselho Militar vai administrar o país com o chefe da Suprema Corte Constitucional. 

Golpe de misericórdia. Mubarak tentou ficar no poder o quanto pôde. Ontem, o ditador foi à TV para anunciar que seguiria no cargo até setembro, mas delegaria funções ao vice. O discurso enfureceu os manifestantes, que há 18 dias tomaram as ruas do país pedindo reformas. Nesta sexta, uma multidão protestou em  Cairo, Alexandria, Suez e em outras cidades menores, como Damietta , Damnhur, Asuit, Sohag, Bani Swfi, Port Said e  Mansoura.

No Cairo, as manifestações se concentraram na praça Tahrir e também em frente ao prédio da TV estatal e ao palácio presidencial. "Fora! Fora com Hosni Mubarak", gritava a multidão. O Exército protegia a sede do governo com quatro tanques e os manifestantes tentavam convencer os soldados a se unirem a eles.

"O que você está esperando. Sua lealdade pertence a Mubarak ou ao Egito?", disse um deles.  No sermão na praça Tahrir, clérigos muçulmanos compararam a manifestação com a luta de Moisés contra o Faraó, no Egito antigo. "Que Deus expulse os opressores", disse um imã. Suas preces foram atendidas.

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Com AP e Reuters

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