EFE
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Riad abriga líder do Iêmen e árabes formam coalizão

Ataques da Força Aérea saudita matam ao menos 18 civis em Sanaa, capital iemenita; EUA e Turquia apoiam operação contra rebeldes

RIAD, O Estado de S.Paulo

27 Março 2015 | 02h01

O presidente do Iêmen, Abd-Rabu Mansur Hadi, chegou ontem à capital da Arábia Saudita, Riad, cuja Força Aérea bombardeou instalações militares estratégicas no território iemenita, para combater a ofensiva do grupo xiita Houthi, que conta com apoio o Irã. Os ataques, que mataram pelo menos 18 civis em Sanaa, tornam o Iêmen a nova frente de combate entre sauditas e iranianos - tradicionais adversários do Oriente Médio.

De acordo com a agência de notícias oficial saudita SPA, Hadi foi recebido em Riad pelo ministro saudita da Defesa, Mohamed bin Salman bin Abdel-Aziz. O paradeiro exato do presidente iemenita era desconhecido desde quarta-feira, quando as forças houthis se aproximaram da cidade de Áden, onde o líder tinha estabelecido sua sede de governo há pouco mais de um mês - após fugir de Sanaa, que foi tomada pelos rebeldes xiitas em setembro.

Durante a madrugada, os bombardeios sauditas atingiram uma base aérea próxima ao aeroporto de Sanaa, instalações de armamento antiaéreo e bases militares, além de residências nas proximidades do terminal aéreo civil, onde ocorreram as mortes. Em resposta, os houthis mobilizaram milhares de partidários nas ruas da capital, para protestar contra os ataques. De altos falantes, a voz de um líder do grupo declarava que o Iêmen "será a tumba" de seus inimigos.

Após os bombardeios, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, anunciou no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh que os países do bloco concordaram em formar uma força militar unificada para defender o governo de Hadi, que é reconhecido internacionalmente. O ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, que ficou 33 anos no cargo, apoia os houthis, supostamente como parte de um plano para retomar o poder no Iêmen.

A resolução da Liga Árabe pela coalizão militar para combater os rebeldes do Iêmen deve ser aprovada oficialmente no fim de semana, durante a cúpula da entidade no Egito, à qual Hadi deverá comparecer.

Militares e funcionários civis do governo egípcio afirmaram que a intervenção no Iêmen irá além de ataques aéreos. A previsão é a de que, uma vez que os bombardeios tenham enfraquecido as forças houthis, tropas da coalizão árabe sejam acionadas para a retomada do país. A Arábia Saudita afirmou por meio de um porta-voz militar que, em princípio, "não há nenhum plano para pôr em prática operações terrestres, mas, em caso de necessidade, as forças sauditas e de seus aliados estão dispostas".

Além de Arábia Saudita e Egito, participarão da coalizão árabe Kuwait, Catar, Emirados Árabes, Bahrein, Jordânia, Marrocos, Sudão e Paquistão.

Durante a noite de ontem, as forças sauditas retomaram os ataques no Iêmen, contra alvos houthis em Sanaa e Taiz.

Os EUA - que consideram o Iêmen uma importante plataforma para o combate ao terrorismo, já que o país serve de base para a Al-Qaeda na Península Arábica e para o Estado Islâmico, que tem cooptado militantes desde a ascensão dos houthis, no ano passado - planejam dar apoio à coalizão árabe enviando aviões radar e aeronaves para reabastecimento em voo, informaram funcionários do governo americano.

A Turquia também apoiou a coalizão árabe contra os houthis. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que "o Irã está tentando dominar a região" e deve retirar suas forças do Iêmen, da Síria e do Iraque. "Isso não é tolerável", disse, afirmando que não descarta a possibilidade de dar apoio logístico às operações da coalizão árabe.

Mais tarde, o presidente americano, Barack Obama, e Erdogan falaram sobre a crise no Iêmen e o conflito na Síria e no Iraque. A Casa Branca informou que os líderes comentaram "os últimos acontecimentos" no território iemenita, sem dar mais detalhes.

Condenação. O presidente do Irã, Hassan Rohani, por sua vez, condenou "a agressão militar" das forças sauditas no Iêmen, em um telefonema ao primeiro-ministro britânico, David Cameron. "Os ataques aéreos sauditas devem parar imediatamente. Faremos todos os esforços para controlar a crise no Iêmen", disse o chanceler iraniano, Mohamed Javad Zarif.

Em Lausanne, na Suíça, durante diálogo sobre o programa nuclear do Irã, o secretário de Estado americano, John Kerry, falou "brevemente" com Zarif sobre o tema. Em Washington, um alto funcionário americano garantiu que a crise no Iêmen não terá "nenhum impacto" na negociação com o Irã. / AP, EFE, AFP, REUTERS e NYT

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