Fayez Nureldine / AFP
Fayez Nureldine / AFP

Arábia Saudita apresenta destroços de drones e mísseis que ligariam Irã aos ataques à petrolífera

Porta-voz da coalizão militar liderada pela reino afirmou que ataques contra instalações de empresa do país tiveram 'inquestionavelmente a responsabilidade' de Teerã

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 14h04
Atualizado 19 de setembro de 2019 | 12h23

RIAD - O porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, Turki al-Maliki, afirmou nesta quarta-feira, 18, que os ataques cometidos no sábado contra as instalações da petroleira saudita Aramco foram realizados com 18 drones e 7 mísseis de cruzeiro iranianos.

Maliki declarou que os ataques foram disparados do norte, e não do sul, segundo as primeiras investigações sobre o caso. A ofensiva contra as refinarias de Abqaiq e Khurais, na Arábia Saudita, foi reivindicada pelos rebeldes Houthis do Iêmen

"Estamos trabalhando para saber exatamente o ponto de lançamento dos drones e mísseis, temos várias maneiras de identificar esse ponto, mas por enquanto não podemos dar mais informações sobre isto", concluiu o porta-voz.

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Ele afirmou que o ataque "foi inquestionavelmente apoiado pelo Irã", embora tenha evitado responder a reiteradas perguntas sobre se o ataque veio da República Islâmica.

Ele também mostrou os destroços de três mísseis que não atingiram seus alvos e foram recuperados e inspecionados, enquanto outros quatro atingiram a usina de Khurais. Além disso, acrescentou que 18 drones atacaram Abqaiq, a maior instalação de petróleo da Arábia Saudita.

Maliki afirmou que, depois de analisar os destroços, é possível afirmar que são de tipo Delta Wing iraniano e que todos os componentes analisados são iranianos.

Ele destacou que o alcance dos drones é de 1,2 mil quilômetros e dos mísseis é de 700 quilômetros, por isso considerou que "os mísseis nunca poderiam ser lançados do Iêmen", a partir dos territórios que estão sob o controle dos rebeldes xiitas.

O porta-voz saudita também defendeu os sistemas de defesa aérea da Arábia Saudita, que não puderam evitar o ataque múltiplo, causando a redução de 50% da produção de petróleo do reino por mais de 48 horas.

"Nossas defesas aéreas interceptaram mais de 200 mísseis balísticos e 258 drones", disse ele, enfatizando que "não há nação que esteja exposta" a esse número de ataques contra instalações governamentais e civis.

Novas ameaças dos Houthis

Os rebeldes iemenistas Hourhis ameaçaram nesta quarta-feira atacar "dezenas de alvos" nos Emirados Árabes Unidos, um dos pilares da coalizão militar liderada pelos sauditas no Iêmen.

"Anunciamos que temos dezenas de alvos nos Emirados Árabes Unidos, entre eles Abu Dabi e Dubai, que podem ser atacados a qualquer momento", disse Yahiya Saree, porta-voz dos rebeldes xiitas.

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Resposta diplomática

Donald Trump e Boris Johnson discutiram nesta quarta-feira a necessidade de uma "resposta diplomática unida" da comunidade internacional após os ataques a instalações petroleiras da Arábia Saudita, segundo afirmou o político britânico. 

Durante uma conversa por telefone, o presidente dos Estados Unidos e o primeiro-ministro do Reino Unido condenaram os ataques, atribuídos ao Irã por Washington

Os dois aliados também falaram sobre a questão iraniana e concordaram que "Teerã não deve ter uma arma nuclear", afirma o comunicado.  / EFE e AFP

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