Riad nega permissão aos EUA para uso de base local

A base militar saudita que os EUA planejavam usar como centro de comando e controle na operação contra o terrorismo não estará à sua disposição porque a Arábia Saudita não permitirá que seja ponto de partida para uma ofensiva contra uma nação islâmica, informaram altos funcionários desse país à agência de notícias Associated Press, confirmando notícia divulgada no dia anterior pelo diário The Washington Post. O jornal americano revelara que Riad ainda não autorizara o uso de uma importante base americana em seu território. Essa decisão poderá provocar uma demora de várias semanas nas ações militares planejadas por Washington. Aparentemente, o governo saudita está seriamente preocupado com as conseqüências de um bombardeio a um país muçulmano, com o qual ainda mantém relações diplomáticas. A Arábia Saudita ainda está negociando com os EUA sua participação na chamada coalizão internacional contra o terrorismo.Falando sob condição de manter o anonimato, um alto funcionário em Riad explicou que o reino saudita não permitirá que os americanos utilizem em ataques retaliatórios a Base Aérea Príncipe Sultan, localizada a aproximadamente 100 quilômetros de Riad, a capital do país. Na semana passada, o chefe do Comando Central das Operações Aéreas do EUA no Oriente Médio e Sudeste da Ásia, general Charles Wald, transferiu suas atividades da Carolina do Sul para essa base, cujo sistema de alta tecnologia fora inaugurado havia seis semanas. A base foi descrita na imprensa americana como o mais avançado centro de controle, "capaz de dirigir os movimentos de centenas de aviões num raio de milhares de quilômetros". A inesperada resistência das autoridades sauditas está levando a Casa Branca a considerar alternativas. O jornal inglês The Sunday Times salientou hoje que o governo saudita está cada vez mais relutante em tomar parte em uma ofensiva contra o milionário Osama bin Laden e seus aliados. Bin Laden é saudita, mas sua nacionalidade foi cassada pelo governo em 1994, depois de ele ter aderido ao terrorismo e incluído o regime da Arábia Saudita entre seus inimigos por manter bases americanas no país. O governo saudita ficou numa posição embaraçosa quando os americanos enviaram para a Base Príncipe Sultan o general Wald. Um outro general americano admitiu ao Sunday Times que as discussões públicas do plano da ofensiva puseram os sauditas em uma posição difícil. "Nós deveríamos ter entendido isso melhor", afirmou ele, sob condição de manter o anonimato. O maior temor em Riad é que um ataque contra Bin Laden e seus aliados possa fomentar o ressentimento dos islâmicos contra os americanos. O milionário é considerado um herói por muitos radicais muçulmanos sauditas, que, como Bin Laden, não aceitam a presença de tropas dos EUA num país que abriga os locais mais sagrados do Islamismo, as cidades de Meca e Medina. Segundo as primeiras investigações dos EUA, pelo menos metade dos 19 seqüestradores dos quatro aviões usados nos atentados do dia 11 seria da Arábia Saudita. Mas um outro fator complicador é o fato de sete sauditas apontados pelo FBI (polícia federal americana) como suspeitos dos seqüestros serem comprovadamente inocentes, pois estão vivos. O ministro do Interior da Arábia Saudita, príncipe Nayef, disse numa entrevista divulgada pela Agência de Imprensa Saudita (SPA) que o governo americano não apresentou nenhuma prova de que cidadãos locais estejam envolvidos nos atentados em Nova York e Washington. "Há sete nomes de pessoas que não participaram, estão no reino e nós conhecemos", disse o príncipe. "Há mais 10 outras, possivelmente 15, sobre as quais não temos informação, nem nomes, fotos, passaportes ou outros documentos para que possamos checar se são sauditas." Os jornais do país publicaram entrevistas e fotos de pelo menos cinco pessoas que aparecem na lista divulgada sábado pelo FBI. Embora a polícia americana não tenha indicado a nacionalidade da maioria dos suspeitos, altos funcionários dos países do Golfo Pérsico e analistas políticos da região comentaram que os sobrenomes pareciam indicar que muitos deles podem ser sauditas. Os erros cometidos pelo FBI na indicação de alguns nomes fortalecem a idéia de que os terroristas usaram passaportes falsos ou roubados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.