Rice admite "milhares de erros táticos" dos EUA no Iraque

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, admitiu nesta sexta-feira que seu país cometeu "milhares de erros táticos" no Iraque, mas considerou acertada a decisão de depor o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.Rice deu as declarações à Rádio 4, da rede britânica BBC, depois de uma entrevista coletiva sobre política externa na cidade de Blackburn, no noroeste da Inglaterra. "Sei que cometemos erros táticos, milhares deles, tenho certeza", disse Rice.A chefe da diplomacia americana especulou que, no futuro, quemolhar para trás na História vai poder avaliar quais foram "asdecisões estratégicas corretas". Na sua opinião, a invasão do Iraque foi uma delas."Tenho a firme certeza de que foi a decisão estratégica correta,pois Saddam Hussein vinha sendo uma ameaça à comunidadeinternacional por um longo tempo", insistiu.A presença de Rice em solo britânico retribui a visita que seucolega britânico, Jack Straw fez ao seu Estado natal, Alabama. ProtestosA visita de dois dias de Rice à Inglaterra, que começou nesta sexta-feira, desde o começo se viu denegrida pelos protestos dos grupos contrários à guerra no Iraque.Vestidos com roupas laranjas como as dos presos de Guantánamo e carregando um caixão com a bandeira dos Estados Unidos, cerca de 50 estudantes protestaram contra a presença em Liverpool da secretária de Estado americana.A manifestação, acompanhada porcem policiais, aconteceu em frente ao Instituto de Artes Cênicas da cidade.O universitário, Jon Netton, disse que era "uma desgraça" oconvite feito a Rice para ir ao instituto, quando o impulsor dolocal, Paul McCartney, é um grande ativista contra a guerra. Os protestos obrigaram a suspensão de sua ida a uma mesquitade Blackburn, distrito eleitoral de Straw, próximo a Liverpool.Esta manhã, a secretária de Estado teve que entrar pelos fundosem uma escola na mesma cidade para evitar uma manifestação deaproximadamente 200 pessoas.Para esta noite, está prevista uma outra manifestação, convocadapelo grupo Pare a Guerra ("Stop the War"), contra Rice, antes de um concerto de gala da Filarmônica de Liverpool.

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