Rice afirma que EUA defenderão Japão contra riscos nucleares

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta quarta-feira que os EUA estão prontos para usar seu poderio militar em "força máxima" para defender o Japão caso o país seja atacado. O anúncio ocorre à luz o teste nuclear norte-coreano e após o Japão afirmar que não pretende desenvolver bombas atômicas. Os EUA estão preocupados de que o Japão, a Coréia do Sul e talvez Taiwan queiram desenvolver seus próprios programas de armas nucleares para, assim, tentar conter a ameaça da Coréia do Norte. Tais atitudes poderiam irritar a China, que já possui arsenal nuclear próprio, e poderiam aumentar as tensões na Ásia.Um dos motivos da viagem de Rice, nesta semana, para a China, Rússia, Japão e Coréia do Sul é diminuir a tentação do desenvolvimento de programas nucleares nacionais ao reafirmar a intenção dos EUA de defenderem as nações expostas a maiores riscos. ViagemNo Japão, Rice reafirmou a promessa do presidente dos EUA, George W. Bush, feita no mesmo dia do teste nuclear norte-coreano, "de que os EUA têm a capacidade de alcançar a força máxima de sua capacidade militar para garantir a segurança do Japão". Rice fez a declaração durante encontro com o ministro de Relações Exteriores japonês, Taro Aso.Suas palavras foram um lembrete para aliados dos EUA de que Washington não quer ver uma nova corrida nuclear na Ásia. Além disso, foram um alerta à Coréia do Norte: caso utilize uma arma nuclear contra um de seus vizinhos, o país poderá enfrentar o arsenal dos EUA. Os EUA tem repetidamente declarado que não pretendem atacar a Coréia do Norte nem derrubar seu regime comunista. Sanções à CoréiaAlém de acalmar os nervos entre aliados, a viagem de Rice à Ásia é destinada a reforçar a pressão na Coréia do Sul e especialmente na China para que sejam aplicadas sanções econômicas contra o país comunista. Estas sanções incluem o que os EUA descrevem como uma "inspeção agressiva" e um "programa de interdição" que imporiam um bloqueio ao comércio na Coréia do Norte.O embaixador da China na ONU, Wang Guangya, disse na terça-feira que a China implementaria a resolução à escala de inspeções, mas não de interdição."Inspeção é diferente de interdição e intercepção", disse Wang a repórteres na segunda-feira. "Acho que países diferentes farão de maneiras diferentes". Rice não quis comentar em detalhes as preocupações dos EUA e de outros governos a respeito de um provável novo teste nuclear pela Coréia do Norte. "Estamos preocupados com eventuais novas ações dos norte-coreanos", disse Rice, "contudo, mais ações por parte deles apenas aprofundariam ainda mais seu isolamento, que é bem profundo neste momento".Monitoramento Além disso, Rice instará que países do norte da Ásia criem um sistema de monitoramento e inspeção de radiação para evitar que a Coréia do Norte contrabandeie material nuclear para dentro e fora do país, segundo informou o jornal norte-americano The New York Times, utilizando uma fonte não identificada do Departamento de Defesa.O diário também relata que esta fiscalização ficaria restrita ao território de cada país e seria designada a navios, caminhões e aviões suspeitos, ao invés de cada carga chegada. A China também poderia estar incluída neste grupo de países, embora tenha dito que não vai interditar navios, continuando seu discurso menos duro direcionado à Coréia do Norte.

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