Rice afirma que Venezuela prejudicaria funcionamento do CS

A entrada da Venezuela no Conselho de Segurança (CS) da ONU paralisaria este órgão, disse a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em entrevista ao jornal "The Wall Street Journal". De acordo com a transcrição da entrevista distribuída nesta terça-feira pelo Departamento de Estado, Rice disse na última segunda-feira ao conselho editorial da publicação que o CS precisa de membros responsáveis para o seu funcionamento, não de países interessados em ventilar suas visões antiamericanas. A entrada da Venezuela "acabaria com o consenso no Conselho de Segurança", declarou Rice, que acrescentou que esta "é uma questão muito séria". Segundo a chefe da diplomacia americana, este é o caso de avaliar se a Venezuela é um Estado "responsável ou se simplesmente quer ficar constantemente enredada em uma briga com os Estados Unidos todos os dias, em todos os temas, o que paralisaria o Conselho de Segurança". Tanto a Venezuela como a Guatemala lutam por um assento não-permanente no Conselho de Segurança para o biênio 2007-2008. A escolha do país que ocupará a vaga está prevista para o dia 16 de outubro. Na entrevista, Rice também se referiu às palavras pronunciadas na ONU pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra George W.Bush, que foi chamado de "diabo", "tirano" e "mentiroso", entre outros adjetivos. "Acho que Chávez não fez bem algum a si com seu discurso", declarou a secretária de Estado. "Pode ser que tenha atraído a atenção dos meios de comunicação, mas também atraiu a de muitas pessoas preocupadas com as responsabilidades do Conselho de Segurança", acrescentou. Pingue-ponguePrimeiramente Chávez reagiu de forma irônica às declarações de Rice, perguntando "Quem é ela?" a jornalistas que o questionaram sobre as declarações da secretária de Estado. Mas logo depois emendou dizendo que quem deveria sair do conselho são os EUA, que junto com China, França, Grã-Bretanha e Rússia têm assento permanente na instituição. Para ele as declarações de Rice "são mais uma evidência do atropelo dos EUA no mundo, de um governo que acredita ser dono do mundo", afirmou.

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