Rice: carta do Irã não é abertura diplomática

A secretária de Estado americana Condoleezza Rice rejeitou a carta enviada pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao presidente George W.Bush nesta segunda-feira, dizendo que ela não se refere seriamente ao impasse sobre o programa nuclear iraniano. Em entrevista à agência Associated Press, Rice disse que a carta de Ahmadinejad tinha 17 ou 18 páginas e falava sobre história, filosofia e religião. "Não foi uma abertura diplomática", afirmou. "Essa carta não é o lugar onde alguém encontra abertura para abordar uma questão nuclear de qualquer tipo", acrescentou a secretária. "Ela (a carta) não se refere aos assuntos que estamos lidando de uma maneira concreta".Os comentários de Rice foram a resposta mais detalhada dos Estados Unidos à carta, a primeira de um chefe iraniano para um presidente americano em 27 anos. Ela não discutiu o conteúdo do documento em detalhes mas deixou claro que o governo americano não mudará seu curso na questão nuclear iraniana. "Não há nada aqui que indique uma mudança de curso em relação ao que estávamos trilhando antes de receber a carta", argumentou.A secretária falou por horas antes de se reunir com outros membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU sobre o programa nuclear de Teerã. Washington pressionou a revisão da resolução que deve ser imposta ao Irã pelo Conselho de Segurança, mas os membros do órgão estão divididos sobre a rigidez das medidas e se devem impor sanções ou outra forma de punição caso Teerã não encerre suas atividades nucleares.Rice disse que a carta de Ahmadinejad pode ser uma tentativa de mudar de assuntou e "tirar a comunidade internacional de seu curso" enquanto o Conselho discute que tipo de ações adotar. Segundo ela, os EUA continuarão a pressionar por uma resposta rígida do Conselho, apesar de não ter afirmando especificamente quais respostas seriam. Enquanto isso, Washington irá traçar um plano alternativo para impor sanções juntamente com países aliados caso o Conselho não aja com rigor. "Temos que fazer algum tipo de pressão sobre os iranianos para que entendam que há um preço por seu desafio ao sistema internacional", concluiu.

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