Rice descarta cessar-fogo no Líbano, mas discutirá proposta com líderes árabes

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta sexta-feira que qualquer promessa de um rápido cessar-fogo para as batalhas no Oriente Médio seria uma "promessa falsa". Porém, ainda hoje, ela apresentará uma solução diplomática para o combate entre Israel e o Hezbollah. Ela e o presidente norte-americano, George W. Bush, irão se encontrar no domingo com oficiais da Arábia Saudita para discutir o assunto. Rice cancelou as viagens que planejava fazer ao Cairo e a outras capitais de países árabes a partir da semana que vem. Diplomatas dizem que o Egito é um lugar instável demais neste momento para abrigar uma reunião de cúpula sobre o Líbano, e temem que um encontro no Cairo possa provocar manifestações populares.Segundo oficiais israelenses, a expectativa é de que ela desembarque em Israel na próxima terça-feira. Ela também deverá se encontrar com ministros do exterior europeus e representantes de países árabes que raramente criticaram o Hezbollah. Esse encontro ocorrerá em algum lugar no Oriente Médio, mas a localização ainda não foi definida.Segundo um oficial do alto escalão da Casa Branca, Rice partirá na tarde de domingo ao Oriente Médio carregando a estratégia norte-americana para o fim das batalhas e para a estabilização do sul do Líbano. Espera-se que Rice anuncie a formação de um corredor humanitário no Líbano. Segundo o embaixador de Israel em Washington, Daniel Ayalon, "(Israel) apóia totalmente isso". O plano surgiu após dois dias de encontros em Nova York entre o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e enviados mandados por ele à região nesta semana. O governo Bush afirmou que os Estados Unidos e a ONU concordam com os objetivos diplomáticos para a região. Síria e HezbollahRice também defendeu sua decisão de não se encontrar com líderes sírios ou do Hezbollah em sua próxima visita à região, na semana que vem. "A Síria sabe o que precisa fazer e o Hezbollah é a fonte do problema", disse a secretária.Rice afirmou que seu país está comprometido com o fim do derramamento de sangue, mas não quer fazer isso antes que certas condições sejam definidas. Desde o início do conflito, os Estados Unidos disseram que a iniciativa para um cessar-fogo deve partir do Hezbollah, que deve primeiro libertar os dois soldados israelenses capturados e parar com os ataques de foguetes contra o território israelense. "Buscamos um fim para a atual violência, buscamos isso urgentemente. (...) Um cessar-fogo seria uma falsa promessa se isso fizesse simplesmente com que voltássemos ao status quo", disse Rice. Ela também afirmou que seria importante lidar com a "raiz" da violência.Força internacionalSegundo o embaixador israelense Danies Ayalon, Israel não rejeita uma eventual força internacional na região para estabilizar a situação. Porém, ele informou que Israel está determinado a, antes da intervenção, destruir os centros de comando e de controle do Hezbollah e confiscar seu arsenal.Ele descreveu isso como uma operação de "limpeza" e afirmou que Israel não quer repetir sua ocupação de 18 anos no sul do Líbano - que acabou em 2000.ItáliaDepois de ir a Israel, Rice viajará para Roma, onde irá elaborar um acordo de cessar-fogo que pode incluir a introdução de uma força internacional de paz e o desarmamento do Hezbollah. "A questão fundamental é neutralizar o Hezbollah", disse um diplomata israelense. As informações são da Dow Jones.No último dia 12, a milícia libanesa Hezbollah matou oito soldados israelenses e capturou outros dois. Em represália, Israel vem realizando ataques no Líbano desde então. O país também realiza uma ofensiva em Gaza, que começou após militantes ligados ao Hamas terem capturado um soldado israelense em 25 de junho em um ataque próximo à fronteira. Segundo a ONU, mais de 119 palestinos, a maioria civis, foram mortos.

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