Rice diz não ter sido alertada sobre ataques de 11 de Setembro

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou não se lembrar do então chefe da CIA, George Tenet, alertá-la sobre um provável ataque da Al Qaeda nos EUA, como afirma um novo livro. George Tenet teria dado o alerta dois meses antes dos ataques em 11 de Setembro de 2001."Do que eu tenho certeza, é de que eu me lembraria se eu tivesse sido avisada, como afirma esse relato, de que estava para acontecer um ataque nos EUA, e a idéia de que eu, de alguma forma, ignorei isso, é o que eu acho incompreensível", disse Rice. Rice era a assessora nacional de segurança do presidente George Bush em 2001. No livro "Estate of Denial", do jornalista Bob Woodward, há o relato de uma reunião em 10 de julho de 2001, entre Rice, Tenet e o chefe da CIA da divisão contra o terrorismo. "Eu não sei que essa reunião aconteceu, mas o que eu tenho certeza, é de que não foi um a reunião onde eu soube que havia um ataque prestes a acontecer, e eu me recusei a agir", disse Rice. Falando a repórteres enquanto viajava para a Arábia Saudita, com outras paradas no Oriente Médio, Rice disse que se encontrou com Tenet diariamente na época, e diz não se lembrar do alerta que Tenet teria dado, descrito no livro. Rice afirmou que havia uma discussão quase constante sobre possíveis ataques na América, e alto alarme. A reunião entre Tenet, Rice e Cofer Black, da CIA, não foi mencionada nos relatos de diversas investigações sobre os ataques de 11 de Setembro, mas Woodward escreveu que para Tenet e Black, foi "o mais forte alerta que ele haviam dado a Casa Branca" sobre o o líder da Al Qaeda e sua rede. Tenet requisitou a reunião após receber um aviso perturbador de Black, de acordo com o livro. Mas apesar de Tenet e Black alertarem Rice nos mais fortes termos da prospecção do ataque, ela os ignorou, Woodward reiterou nesta segunda-feira. Ele disse no programa de TV Today, que Black lhe contou que os dois homens foram tão enfáticos, era como se "segurassem uma arma em sua cabeça" (de Rice), fazendo de tudo menos puxar o gatilho. Black relatou ter exposto intercepções secretas e outras informações "mostrando a crescente probabilidade de que a Al Qaeda iria atacar os EUA em breve". Tenet ficou tão preocupado que ligou para Rice de seu carro e pediu para vê-la imediatamente, afirma o livro. "Tenet e Black sentiram que não estavam conseguindo com Rice", escreveu Woodward sobr eo encontro. "Ela era educada, mas eles sentiram a ignorada". Rice se referiu ao encontro com "a suposta reunião" e observou que essa informação não faz parte do relatório da comissão independente sobre o 11 De Setembro. "Eu lembro que George estava muito preocupado e expressou isso", disse Rice aos repórteres. "Todos nós ficamos muito preocupados porque o relato ameaçador era muito intenso. O problema é que ele era também muito nebuloso". Rice, que foi promovida a secretária de Estado no segundo mandato de Bush, também disse nunca ter discutido que o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, deveria ser demitido. A sugestão do livro de que Rumsfeld não ouvia seus pedidos é absurda", disse Rice. Rumsfeld e Rice não são próximos, e constantemente ele é considerado seu rival na tomada de decisões da administração Bush. Woodward escreveu que o então chefe da equipe da Casa Branca, Andrew Card, tentou duas vezes fazer Bush trocar Rumsfeld pelo conselheiro da família Bush, James A. Baker III, e que tanto o então secretário de Estado, Colin Powell, quanto Rice apoiavam o plano. Woodward entrevistou Rice para o seu novo livro.

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