Rice diz que é importante rápida aprovação da resolução da ONU

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou neste domingo que é importante uma rápida aprovação do projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU para pôr fim às hostilidades no Líbano. A minuta de resolução é o resultado do acordo fechado neste sábado entre Estados Unidos e França sobre uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para colocar um fim nos combates entre Israel e o Hezbollah, no Líbano. Os dois países fazem a mediação com as partes em conflito: os EUA, com Israel, e a França com o Líbano (o Hezbollah aceitou ser representado pelo governo libanês, do qual faz parte).Rice afirmou que a votação sobre a resolução deveria acontecer na segunda ou na terça-feira e insistiu em que a resolução, estipulada pelos EUA e pela França, permitirá pôr fim à violência em grande escala no sul do Líbano. Se a resolução for aprovada nos próximos dias, "veremos em breve o fim da violência em grande escala", afirmou.Rice fez suas declarações em Crawford (Texas), para onde viajou para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que está de férias em seu rancho particular.Os quinze membros do Conselho de Segurança da ONU iniciaram no sábado as primeiras discussões sobre a minuta de resolução elaborada por EUA e França para pôr fim às hostilidades entre Israel e as milícias libanesas do Hezbollah. A minuta de resolução pede o "fim completo das hostilidades", e particularmente exige ao Hezbollah que ponha fim a todos os ataques e a Israel que suspenda todas as suas "operações ofensivas militares" por terra, mar e ar. Além disso, o texto exige às partes que se comprometam a "trabalhar em um cessar-fogo permanente e uma solução a longo prazo" com base em uma série de princípios e elementos políticos.No plano previsto pela minuta de resolução se destacam a criação de uma zona de segurança e a mobilização de uma força internacional, com mandato da ONU, que conte com a aceitação das partes.A minuta também prevê a demarcação das fronteiras internacionais do Líbano, inclusive as polêmicas Fazendas de Chebaa, ocupadas por Israel, o desarmamento das milícias e a exigência de que o Governo de Beirute exerça sua autoridade e soberania em todo o territórioLibanês.A representante da diplomacia americana afirmou que, de qualquer forma, isso não implica necessariamente o fim de todas as disputas a curto prazo porque "estas coisas precisam de tempo para se acalmar". Rice insistiu em que não descarta "mais conflitos por um período de tempo" e definiu a resolução como "um primeiro passo"."Precisamos de uma segunda resolução e da criação de uma força internacional que possa ajudar o Governo libanês a ampliar sua autoridade no país", afirmou Rice, que se referiu ao "vazio" de poder no sul do Líbano que permitiu a formação de "um Estado dentro de um Estado", em alusão ao Hezbollah.Líbano rejeita proposta; Israel avaliaráA minuta de resolução apresentada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, contudo, foi rejeitada pelo Líbano. Neste domingo, o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, disse que o país rejeita a proposta e pediu que alguns de seus aspectos "sejam reconsiderados". Ele avalia que aceitar esta minuta de resolução significaria que as tropas israelenses poderiam continuar ocupando as áreas que estão ocupadas atualmente. "Todo o Líbano rejeita a minuta de resolução e exige que seja reconsiderada para harmonizá-la com o plano de sete pontos aprovado pelo Governo libanês e todas as suas comunidades", disse Berri em entrevista coletiva em Beirute.Berri pediu aos ministros de Exteriores da Liga Árabe, que se reunirão na segunda-feira na capital libanesa, que "rejeitem" a minuta de resolução, que descreveu como "um retorno" do país "à situação de antes de 24 de maio de 2000", data da retirada israelense do sul do Líbano.Do outro lado, as autoridades israelenses debatem a proposta franco-americana. De acordo com o ministro de Turismo, o trabalhista Yitzhak Herzog, o Governo israelense "analisará com cuidado e profundidade a proposta e depois responderá", afirmou hoje. Herzog considera o plano "um novo passo no processo político que parece estar na última fase deste conflito".

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