Rice diz que EUA agirão contra PKK

Em visita à Turquia, secretária de Estado dos EUA tenta evitar ofensiva turca contra rebeldes curdos no Iraque

NYT, REUTERS e AP, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 00h00

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, chegou ontem à Turquia para tentar dissuadir o governo turco de lançar uma ofensiva contra rebeldes curdos no norte do Iraque. Depois de reunir-se com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, com o chanceler Ali Babacan e com o presidente Abdullah Gul, ela prometeu "mais ação" dos EUA para conter os ataques dos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) contra alvos turcos. "Os EUA estão dispostos a redobrar seus esforços", disse Condoleezza. "Ninguém pode duvidar da determinação dos americanos nesse caso. Temos um inimigo comum e precisamos tomar uma atitude comum." No entanto, a secretária de Estado não especificou que tipo de ações os EUA pretendem tomar contra os guerrilheiros do PKK e alertou o governo de Erdogan de que uma ofensiva militar turca no Curdistão iraquiano poderia desestabilizar a região.A atual crise começou há duas semanas, quando 12 soldados turcos morreram em uma emboscada do PKK no sudeste da Turquia e 8 militares foram capturados pelos guerrilheiros. Pressionada pela população, Ancara anunciou que lançará uma grande operação militar no norte do Iraque, a menos que o governo do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, e o Exército americano cumpram as promessas de combater os 3 mil guerrilheiros separatistas do PKK que usam o território iraquiano como base para atacar a Turquia.Em meio à violência sectária entre xiitas e sunitas iraquianos, que se espalhou por todo o país, o Curdistão é a única região de relativa estabilidade no Iraque. O tempo corre contra os americanos. A Turquia já mobilizou 100 mil soldados em sua fronteira com o Iraque, apoiados por tanques, artilharia e aviões. Até o momento, os turcos têm se restringido a bombardeios aéreos a várias posições de rebeldes do PKK. Na quinta-feira, a Turquia anunciou sanções econômicas contra o Curdistão iraquiano, entre elas o corte de energia elétrica para a região e o bloqueio de transporte de material de construção e de alimentos.À noite, Condoleezza deixou Ancara e chegou a Istambul, onde participará hoje de uma reunião ministerial entre países vizinhos do Iraque e aliados dos EUA, com o objetivo de promover a estabilidade e a democracia iraquianas. Durante o encontro, Condoleezza deverá também debater com aliados a crise política no Líbano.

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