Rice e Tutu exigem saída de Mugabe

Epidemia de cólera e hiperinflação no Zimbábue intensificam pressão por mudança de governo, mesmo que à força

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, fez um novo apelo para que o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, afaste-se definitivamente do poder. "A vez de Mugabe já passou há muito tempo", declarou Condoleezza, reforçando a pressão para que a comunidade internacional intervenha no impasse político e resolva o caos humanitário no Zimbábue - ameaçado por uma epidemia de cólera, pelo naufrágio econômico e pela escassez de alimentos.O acrebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, endossou o coro contra Mugabe e disse ontem que a comunidade internacional deve retirar "à força" o líder, caso ele não deixe voluntariamente a presidência. "Mugabe destruiu um país maravilhoso, o antigo celeiro da África", disse Tutu. "Se não sair agora, deverá prestar contas ao Tribunal Internacional de Haia por suas violações."Com um saldo de 12.700 contaminados, deixando 575 mortos, o surto de cólera no Zimbábue é visto como mais uma prova da incapacidade do Estado em exercer suas funções básicas. O impasse político persiste, a inflação nacional deve chegar a 1 trilhão por cento ao ano, funcionários públicos estão com salários atrasados e a oferta de alimentos vem minguando. "Se isso não demonstra à comunidade internacional que é hora de agir, eu não sei o que o fará", disse Condoleezza.Para o chanceler da Grã-Bretanha - ex-metrópole do Zimbábue -, David Miliband, a busca por uma solução deve ser liderada pelos governos da região. Para Miliband, porém, esses países devem saber que "qualquer ação coletiva capaz de promover mudanças reais no Zimbábue terá um forte apoio da comunidade internacional".No entanto, passados quatro meses de negociações lideradas pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral - organismo composto por 15 países da região -, Mugabe ainda não foi persuadido a compartilhar o poder com a oposição, liderada por Morgan Tsvangirai.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.