Rice faz críticas à Rússia e prevê 'isolamento' de Moscou

Em uma série de críticas severas e sarcásticas à Rússia, a secretária de Estado do governo norte-americano, Condoleezza Rice, disse hoje que Moscou caminha para o isolamento e a irrelevância. Rice pediu ao Ocidente que fique firme para conter a agressão russa, após a guerra da Geórgia no mês passado. "O ataque à Geórgia cristalizou o curso que os líderes russos tomaram e nos levou a um momento crítico, tanto para a Rússia quanto para o mundo", disse. "Nosso objetivo estratégico agora é deixar claro aos líderes russos que suas escolhas podem colocar a Rússia em um caminho de uma só mão, em direção a um auto imposto isolamento e à irrelevância internacional", afirmou.Os comentários de Rice refletem uma escalada na retórica diplomática entre Washington e Moscou, desde a guerra de agosto no Cáucaso e o posterior reconhecimento russo à independência das províncias separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Rice zombou e ironizou a Rússia pelo suposto isolamento internacional do país e pela tentativa de projetar sua influência no "quintal dos Estados Unidos", ao cultivar antagonistas de Washington, como Venezuela e Cuba.Com sarcasmo, Rice disse que a Nicarágua e o grupo palestino Hamas são as únicas entidades políticas que reconheceram até agora, além da Rússia, a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia. "Um tapinha nas costas dado por Daniel Ortega e pelo Hamas não é um triunfo diplomático", disse Rice, referindo-se ao presidente da Nicarágua, adversário antigo de Washington.O Ministério do Exterior da Rússia não fez comentários ao discurso de Rice, proferido numa palestra. De qualquer maneira, o presidente russo, Dmitry Medvedev, disse hoje mais cedo que as relações com os Estados Unidos permanecem como uma das prioridades do governo de Moscou. "Nós temos todas as oportunidades para desenvolver um diálogo construtivo de longo prazo", afirmou.Mais ironia Rice também ironizou as recentes manobras militares da Rússia com a Venezuela, ao sugerir que apesar da sua esmagadora vitória sobre a Geórgia, as forças armadas russas ainda não se recuperaram do colapso soviético em 1991. Ela se referiu à América Latina na mesma declaração: "Nós estamos confiantes de que nossos laços com nossos vizinhos, que durante muito tempo lutaram por melhor saúde, melhor educação, melhores empregos e moradias, não serão reduzidas por alguns velhos bombardeiros estratégicos que visitaram uma das poucas autocracias da América Latina."Hoje, dois bombardeiros estratégicos russos Tu-160, que estiveram na Venezuela e participaram de manobras militares conjuntas, voltaram à Rússia. O Tu-160 é um bombardeiro capaz de transportar armas nucleares e durante vários anos, no final da Guerra Fria, exerceu mesmo essa função em missões de patrulha.O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, visitará Moscou na próxima semana, a convite do primeiro-ministro russo Vladimir Putin. Em novembro, os dois países farão nova manobra militar no Caribe.

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