Rice não vê solução imediata para Coréia do Norte

A secretária norte-americana deEstado, Condoleezza Rice, disse na sexta-feira que ainda hádiferenças substanciais do seu país com a Coréia do Norte, queestá atrasada em fazer uma relação completa de suas atividadesnucleares, e que não deve haver solução imediata para o tema. Rice comentou o assunto depois que o negociador dos EUApara a questão, Christopher Hill, se encontrou em Genebra, naquinta-feira, com seu colega norte-coreano na tentativa deretomar o acordo de 2005 pelo qual Pyongyang aceitaria abrirmão dos programas nucleares em troca de benefícios diplomáticose econômicos. O acordo sofreu um revés em outubro de 2006, quando aCoréia do Norte testou um dispositivo nuclear, e maisrecentemente por Pyongyang descumprir o prazo (final de 2007)para apresentar o inventário completo de suas atividadesatômicas. O principal entrave para que isso aconteça é a recusa doregime norte-coreano em discutir eventuais transferências detecnologia nuclear para terceiros países, especialmente aSíria, e a sua própria suposta busca por urânio enriquecido. "Minha compreensão é que agora haverá algum período pararecorrer às capitais, então não espero nada imediato, mas éhora de resolver esta questão da declaração, e é isso quecontinuaremos a fazer", afirmou Rice a jornalistas num vôoentre o Brasil e o Chile. Autoridades norte-americanas cogitam a hipótese de a Coréiado Norte tratar das questões de proliferação tecnológica eenriquecimento de urânio em documentos separados, caso issoseja aceitável para Pyongyang. Mas Rice disse que ainda há discordâncias sobre o que aCoréia do Norte deve informar, e não só como. "Ainda é umaquestão de substância," afirmou. Segundo ela, Hill não deve voltar tão cedo a Genebra, masoutros funcionários norte-americanos permanecem lá paradiscutir com os norte-coreanos. O acordo de 2005 foi selado entre EUA, as duas Coréias,China, Rússia e Japão. Numa segunda fase do acordo, a Coréia do Norte secompromete a desativar sua usina nuclear de Yongbyon, onde jáproduziu plutônio, e realizar um inventário "completo ecorreto" de suas atividades. Só depois de isso acontecer os EUA poderão retirar a Coréiado Norte da sua lista de Estados patrocinadores do terrorismo eatenuar as sanções previstas na Lei de Comércio com o Inimigo.Autoridades norte-americanas dizem que será essencial quePyongyang esclareça todas as suspeitas existentes. Washington desconfia de participação norte-coreana numasuposta instalação nuclear secreta da Síria, provavelmentebombardeada em setembro por Israel. Damasco nega ter umprograma nuclear. Já o enriquecimento de urânio é um processo que pode gerarmaterial para armas atômicas --embora, em menor grau, tambémsirva para fornecer combustível a usinas nucleares civis.

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