Rice se encontra com Kadafi em visita histórica à Líbia

Secretária de Estado é a primeira funcionária do alto escalão dos EUA a visitar o país em mais de 55 anos

Agências internacionais,

05 de setembro de 2008 | 19h32

A secretária de Estado americana Condoleezza Rice se encontrou nesta sexta-feira, 5, com o presidente da Líbia, Muammar Kadafi, em uma viagem história que mostra que Washington não tem inimigos permanentes. Rice está fazendo a primeira visita de uma secretária de Estado dos EUA para o país em mais de 55 anos, em uma ação que tenta terminar a inimizade entre os dois países, cinco anos depois da Líbia suspender seu programa de armas de destruição em massa.   Veja também: Para Rice, Líbia é mais que apenas petróleo Rússia aumenta isolamento por conflito na Geórgia, diz Rice   Foto: AP   Por anos, Washington considerou Kadafi um grande apoiador do terrorismo e um de seus maiores inimigos proeminentes. "Essa viagem está provando o quanto as relações entre os Estados Unidos e a Líbia podem avançar. É o começo, e não o fim, da história", declarou Rice em sua chegada a Trípoli.   O líder da Líbia recebeu a secretária de Estado em uma sala com incensos. Mais tarde eles devem participar do do Iftar - quebra do jejum do Ramadã, mês sagrado para os islâmicos. "Isso demonstra que quando os países estão preparados para fazer mudanças estratégicas, Washington está pronta para responder. Sinceramente, nunca pensei que visitaria a Líbia", admitiu Rice.   Antes do encontro com o presidente, ela se reuniu com o ministro do Exterior da Líbia, Mohammed Abdel-Rahman Shalgam. Eles discutiram cooperação em várias áreas, especialmente em educação e petróleo, indicou a agência de notícias oficial do país, Jana.   Kadafi, que uma vez foi chamado de "cachorro louco do Oriente Médio" pelo presidente americano Ronald Reagan, expressou no passado sua admiração por Rice. "Eu apoio a querida mulher afro-americana", declarou em entrevista à rede Al-Jazeera. "Admiro e estou muito orgulhoso do jeito que ela dá ordens aos líderes árabes."   Recomeço   O ministro líbio das Relações Exteriores, Abdel Rahman Chalgham, disse que a visita de Rice a Trípoli demonstra que o tempo de confronto entre os países "pertence ao passado". No entanto, ele declarou que seu país "não tem que receber lições" de direitos humanos. Segundo fontes de Washington, durante a visita a secretária de Estado deve abordar temas como a defesa dos direitos humanos e os conflitos regionais africanos no Chade, no Sudão e na Mauritânia.   Crise   As relações bilaterais atravessaram sua pior crise na década de 1980, quando houve atos extremistas com envolvimento do governo líbio e retaliações militares americanas.   A situação começou a mudar de rumo em 2003, quando Kadafi prometeu abandonar seus programas de armas químicas, biológicas e nucleares e compensar familiares de vítimas de ataques atribuídos à Líbia, levando Washington a rever suas restrições a Trípoli. Rice é a primeira secretária de Estado dos EUA a visitar a Líbia desde John Foster Dulles, em 1953. Ela é também a principal funcionária a ir ao país desde a visita do então vice-presidente Richard Nixon, em 1957.   No início do mês, Líbia e Estados Unidos assinaram um acordo em que concordaram em pagar indenizações para vítimas e familiares de vítimas de ataques realizados pelos governos líbios e americanos.   Segundo a rede BBC, o acordo inclui indenizações relacionadas ao ataque ao vôo da Pan Am que caiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, assumido pela Líbia em 2003, e o bombardeio americano contra as cidades de Trípoli e Benghazi, dois anos antes.  

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