Risco da Argentina bate recorde; Bolsa cai 10,32%

O mercado vive hoje um dia de caos em relação à Argentina. Pouco antes das 11h30 (de Brasília), o risco país medido pelo EMBI, do J.P. Morgan, ultrapassava a marca recorde de 1.460 pontos base. O overnight alcançava alarmantes taxas de 100% a 150% ao ano. A Bolsa de Buenos Aires operava em queda de 10,32%. Segundo o analista Eduardo Blasco, diretor da consultoria Maxinver, a tradução do mercado para essa reação negativa é que as notícias sobre os cortes de gastos, anunciados pelo ministro Domingo Cavallo, chegaram tarde demais e num momento onde a desconfiança é total. "Na visão do mercado, a combinação da medida atrasada com o ´eu não acredito em você´ não deixa outra saída para a Argentina que não o default (calote)", avalia Blasco. Segundo o analista, se essa notícia tivesse chegado há dois meses, a Argentina teria boas chances de recuperar parte da credibilidade perdida, mas a sensação dos mercados neste momento é de que o governo está anunciando cortes somente para correr atrás do prejuízo. "Tentando evitar o mal maior, mas sem nenhuma condição política de cumprir o que está prometendo", diz o analista. Na sua visão, os mercados estão dizendo ao governo que ele não terá dinheiro para pagar os seus bônus e que os banqueiros locais - reunidos para encontrar uma saída para as Letes que devem ser licitadas até o final do ano - não deverão atender aos apelos do governo. "Eu pessoalmente vejo duas possibilidades para se evitar o default: o FMI resolver colocar mais dinheiro no País, diante da promessa de déficit zero e de uma mudança de postura do presidente Fernando De la Rúa, que deveria tornar-se um ´ditador´ para cumprir o compromisso de não gastar mais do que arrecada", comenta Blasco. A segunda possibilidade, na esteira deste apoio do FMI, estaria no governo conseguir frear uma eventual forte retirada de depósitos do sistema financeiro. Ele considera que as declarações recentes do diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Claudio Loser, no Brasil, indicam que essa ajuda poderia ocorrer para evitar um efeito danoso aos demais países emergentes. "Isso teria de ocorrer num prazo máximo de 15 dias, caso contrário não seria mais possível manter os níveis de depósito", estima o analista.

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