Risco de injeção letal falhar adia execução nos EUA

Defesa de condenado argumenta que doença poderia fazê-lo passar por grande sofrimento no procedimento de injeção letal

O Estado de S. Paulo

21 Maio 2014 | 16h11

WASHINGTON - A Suprema Corte dos Estados Unidos suspendeu na madrugada desta quarta-feira, 21, nos últimos instantes, uma execução com injeção letal no Estado de Missouri três semanas depois da desastrosa execução de outro condenado à morte, em Oklahoma. Naquela ocasião, o prisioneiro reagiu minutos após trer sido declarado inconsciente.

Russell Bucklew, condenado à morte por violentar a ex-namorada e matar o então parceiro dela, deveria ser executado à zero hora de hoje (3h de Brasília). Alegando risco de “sofrimento intolerável”, seus advogados conseguiram que o juiz Samuel Alito, responsável por Missouri na Suprema Corte, ordenasse a suspensão até a avaliação de todos os magistrados sobre o caso, o que pode ocorrer ainda hoje.

O principal argumento da defesa foi que Bucklew sofre de uma rara enfermidade, com má-formação das veias e tumores vasculares no pescoço, e, por isso, poderia passar por grande sofrimento no procedimento de injeção letal, o que violaria a Constituição do país. Na semana passada, os advogados pediram à Justiça que a execução de Bucklew fosse gravada para provar o sofrimento causado pela injeção letal.

O caso deve aumentar o debate entre partidários e opositores da pena capital nos EUA. Essa teria sido a primeira execução no país depois da morte de Clayton Lockett, no dia 29 de abril, em Oklahoma. Lockett morreu 43 minutos depois de ter recebido a injeção letal que nunca tinha sido testada. Normalmente, os condenados morrem dez minutos depois da aplicação da injeção.

No ano passado, Missouri mudou do protocolo que utiliza três drogas para o de uma única injeção, a pentobarbital. Nenhum dos seis executados pelo Estado deste então apresentaram qualquer sinal de dor ou sofrimento. Mas os oponentes da pena de morte dizem que o segredo que protege os processos e métodos de execução torna impossível determinar se as drogas causaram uma morte agonizante ao condenado. / AFP e AP 

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