Rivais assinam acordo para compartilhar poder no Quênia

Com negociações mediadas pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, acordo foi assinado sob aplausos

Reuters,

28 de fevereiro de 2008 | 14h32

O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, e o líder da oposição no país, Raila Odinga, assinaram nesta quinta-feira, 28, um acordo de compartilhamento do poder, caminhando assim para resolver a crise pós-eleitoral que deixou 1.000 mortos no país até agora.   Veja também: Entenda o conflito no Quênia  Uma multidão de curiosos aplaudiu os dois rivais quando eles firmaram, em uma cerimônia televisionada, o acordo que cria uma coalizão governista após negociações mediadas por Kofi Annan, ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Os dois líderes viram-se pressionados a chegar a uma posição comum em meio aos conflitos detonados pela polêmica em torno da reeleição de Kibaki, no pleito ocorrido no dia 27 de dezembro. A onda de violência surgida logo depois obrigou 300 mil pessoas a abandonar suas casas e manchou a imagem do Quênia, antes tido como uma economia estável e um centro comercial da região. O acordo envolve a criação do cargo de primeiro-ministro para Odinga e prevê que a distribuição de ministérios dentro do novo gabinete reflita a divisão de forças no Parlamento. "Precisávamos que as duas partes cedessem para garantir a sobrevivência deste país", disse Annan, após a cerimônia. "Eu parabenizo a todos cujos esforços tornaram isso possível. Eles sempre mantiveram o futuro do Quênia como meta e chegaram a uma posição comum em nome desta nação." O presidente da União Africana (UA), Jakaya Kikwete, que intercedeu nas negociações nesta semana, também elogiou os envolvidos. "Eu saúdo o povo do Quênia neste momento histórico", afirmou Kikwete, que é também presidente da vizinha Tanzânia. As negociações de quinta-feira colocaram Odinga e Kibaki sentados à mesma mesa pela primeira vez em um mês. As discussões travadas pelos representantes deles haviam chegado a um impasse no começo desta semana. A oposição havia ameaçado realizar protestos de rua nesta quinta-feira, mas os suspendeu após um encontro com Annan, na quarta. A crise no Quênia eclodiu após Kibaki ter tomado posse, no dia 30 de dezembro, e de Odinga ter acusado o governo de fraudar a eleição, algo que o presidente queniano nega.

Tudo o que sabemos sobre:
Quêniaacordorivais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.