Luis ACOSTA/AFP
Luis ACOSTA/AFP

Rivais com ideias antagônicas apelam a moderados na Colômbia

Duque e Petro representam projetos políticos totalmente opostos, mas buscam os votos de 6 milhões de eleitores moderados para vencer no 2º turno

Rodrigo Cavalheiro, ENVIADO ESPECIAL A BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 06h00

Os colombianos escolheram dois projetos totalmente opostos para disputar o segundo turno das eleições presidenciais, no dia 17. Caberá aos 6 milhões de eleitores que ficaram no centro do espectro político decidir o candidato com menos rejeição, ou que, segundo analistas, mete menos medo na população. 

+ Conservador e ex-guerrilheiro se enfrentarão em 2º turno na Colômbia

O favorito para presidir o país é Iván Duque, apadrinhado do ex-presidente Álvaro Uribe, que obteve 39% dos votos com um projeto liberal na economia e conservador nos costumes. Sua faceta mais temida pelos moderados é o plano de mexer em um pilar do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Seu rival é Gustavo Petro, ex-guerrilheiro que mobilizou multidões e obteve 25% dos votos prometendo taxar grandes fortunas, distribuir subsídios, defender o meio ambiente e as minorias. Eleitores de centro, porém, temem sua proximidade com o chavismo e sua linha radical contra o empresariado. 

A primeira reação dos eleitores de centro foi um forte chamado nas redes sociais ao voto em branco ou à abstenção. Segundo o instituto Cifras e Conceptos, 44% dos colombianos temem a volta de Uribe. Ou seja, estão propensos a rejeitar Duque. Sobre Petro, o mesmo estudo indica que 53% temem um governo dele. 

O esquerdista, porém, surpreendeu ao mobilizar jovens e pobres que não costumam votar. Petro colocou pela primeira vez a esquerda em condições de ganhar a presidência em um país historicamente alinhado aos EUA. 

+ The Economist: Os favoritos são opções arriscadas

“Duque é neoliberal. Quer criar mais empregos reduzindo a carga impositiva. Petro quer cobrar mais de quem tem mais e propõe subsídios, que costumam ser uma ferramenta política importante”, compara o analista Jairo Libreros, da Universidade Externado. Na prefeitura de Bogotá (2012-2015), uma das decisões mais controvertidas de Petro foi baixar o preço do transporte público.

Libreros não crê que a esquerda consiga desfazer a vantagem de 2,7 milhões de votos do primeiro turno. “Uma reversão dependeria da participação direta do presidente (Juan Manuel) Santos. Para ele, seria melhor uma vitória de Petro, que manteria seu legado”, diz Libreros, para quem Duque é capaz de remover os alicerces do processo de paz.

Na campanha, Duque foi visto com a “cara amável” do uribismo, caracterizado pela agressividade. Acusado de ser uma marionete do ex-presidente, Duque garantiu que apenas ele governará, mas ouvirá “presidentes que fizeram um bom trabalho”. 

Petro saiu mal avaliado da prefeitura de Bogotá, cidade em que foi derrotado por Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín. “O eleitor de Fajardo não é um eleitor de esquerda, é de centro. Duque tem mais chance de brigar pelo centro”, avalia o analista Juan Fernando Londoño, ex-vice-ministro do Interior. 

+ Vida pós conflito - Um remédio caseiro contra a guerrilha 

Outros analistas acreditam que Fajardo não apoiará Petro, mas apostam que a maior parte de seus eleitores se inclinará pelo esquerdista. A transferência, porém, não seria suficiente. “Se Petro ganhar, não viraremos a Venezuela. E Duque também não vai destruir o acordo. Mas é isso que será discutido. Até agora, a direita tem sido mais competente ao estimular o medo de Petro”, diz a analista Laura Gil, colunista do jornal El Tiempo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.