Rivais sírios concordam em se reunir neste sábado

Encontro cara a cara marcado para ontem foi cancelado; mas mediador garante que discussão ocorrerá 'na mesma sala'

O Estado de S.Paulo/ NYT, AP e REUTERS

25 de janeiro de 2014 | 02h03

GENEBRA - Depois de um dia em que as primeiras negociações frente a frente entre os representantes da ditadura síria e dos rebeldes que tentam depor o regime de Bashar Assad, em Genebra, previstas para ocorrer ontem, foram canceladas, o mediador internacional para a crise no país árabe, Lakhdar Brahimi, garantiu que as partes se encontrarão "na mesma sala" hoje.

Como tinha feito na véspera, em Montreux, o emissário da ONU encontrou-se separadamente com ambos os grupos, com a intenção de facilitar o diálogo. Enquanto a delegação do governo sírio ameaçava abandonar a negociação, os insurgentes reclamavam que os enviados do regime não estavam completamente comprometidos com a agenda das conversas.

No início do dia, os opositores afirmavam que não concordariam em se encontrar com o governo se os representantes de Assad continuassem se recusando a assinar a declaração das grandes potências, feita em 2012, pedindo um gabinete de transição na Síria. A exigência foi rejeitada pelo regime, cujos negociadores ameaçaram abandonar definitivamente o diálogo se "conversas sérias" não começassem em até um dia.

"Vamos nos encontrar amanhã (hoje). Espero que seja um bom começo e continuemos (a negociação) até o fim da próxima semana. As discussões que tive com as duas partes foram encorajadoras", afirmou Brahimi em uma entrevista coletiva.

Segundo o mediador, as negociações deverão ter como base a declaração de 2012, conhecida como Genebra 1. "Existem diferentes interpretações sobre alguns itens. Acho que ambos os lados entendem isso muito bem e aceitam isso."

"Estamos satisfeitos com a fala do sr. Brahimi de hoje (ontem) e com a aceitação do regime de Genebra 1 (o comunicado). Nessa base nos encontraremos com a delegação de Assad amanhã (hoje) de manhã. Será uma sessão curta, em que somente Brahimi falará, a ser seguida por outra sessão, uma sessão mais longa, durante a tarde", disse Anas al-Abdah, que integra a delegação dos opositores do regime. Oubai Shahbandar, conselheiro da oposição, disse que "há sérias divisões na delegação do governo".

"O objetivo é que a primeira rodada de conversas dure até a próxima sexta-feira, mas as expectativas estão tão baixas que veremos como as coisas se desenvolverão a cada dia", afirmou um diplomata ocidental sem se identificar. "Cada dia que eles conversarem será um pequeno passo adiante."

Brahimi tem indicado que seu objetivo é começar a buscar ações práticas, como tréguas locais, trocas de prisioneiros e acesso à ajuda humanitária internacional - antes de abordar questões políticas. Mas até os objetivos iniciais fracassarão se as delegações deixarem a Suíça.

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