Rivais sírios negociam cessar-fogo localizado

Após primeira reunião frente a frente entre rebeldes e governo sírio, ONU quer parar combates em Homs, onde dezenas morreram de desnutrição

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2014 | 02h03

Representantes da ditadura síria e da oposição estiveram pela primeira vez frente a frente ontem, na presença do mediador internacional Lakhdar Brahimi, em Genebra. O primeiro tópico na tentativa de acabar com a guerra civil é um cessar-fogo na cidade de Homs, sitiada pelo governo há mais de um ano e onde há relatos de dezenas de mortes por desnutrição.

"Não avançamos muito. A situação é muito difícil e muito, muito complicada", disse Brahimi após o encontro, afirmando que as negociações ocorrem em pequenos passos.

A delegação do regime de Bashar Assad e a representação dos rebeldes evitaram tratar diretamente do conflito - ou discutir a situação do ditador. Entraram na sala da reunião por portas separadas e, sentados em lados diferentes da mesma mesa, conversaram apenas com Brahimi, não entre si. "É o que ocorre em discussões civilizadas", disse o mediador.

"Começamos a falar de assuntos humanitários e discutimos a situação em Homs", disse Brahimi, afirmando que "comboios de ajuda" foram considerados. "Amanhã (hoje) falaremos dos prisioneiros e das pessoas sequestradas - e veremos o que se pode fazer. A situação é extremamente complexa. Pedi para as duas partes que atuem com prudência."

O representante da oposição síria Anas al-Abdah, porém, afirmou que "Brahimi falou por 30 minutos e nenhum dos delegados disse nada". Segundo ele, o mediador afirmou que os primeiros dois dias de negociação direta serão centrados no fim de cercos a civis, incluindo os que estão em Homs, além do acesso à ajuda internacional.

O opositor disse ainda que a proposta de cessar-fogo em Homs valeria por "uma ou duas semanas" e poderia, em caso de êxito, ser estendida ao restante da província. A região foi um dos primeiros focos de insurgência armada contra o regime, iniciada em março de 2011. A chefe das operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, espera que tréguas localizadas sejam conseguidas também em Alepo e no entorno de Damasco. Segundo ela, há 250 mil sírios sob cerco, sem acesso regular a comida e medicamentos.

Transição. Antes do encontro, representantes de Damasco negaram que tivessem aceitado uma proposta para a formação de um governo de transição na Síria. Líderes oposicionistas disseram que insistiriam nesse ponto. Segundo diplomatas, o fato de conseguir reunir a situação e a oposição da Síria à mesma mesa de negociação já deve ser considerado uma conquista, após três anos de uma guerra civil que causou a morte de 130 mil pessoas no país. "Devemos começar com ideias modestas e trabalhar nelas para chegarmos a algo - e vamos avançar gradualmente em assuntos cada vez maiores", comentou o vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal al-Mikdad, antes da reunião. / AP, REUTERS, AFP e EFE

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