Rival de Chávez busca asilo político

Principal líder da oposição, Rosales é ameaçado de prisão

AP, EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 00h00

O prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, um dos principais líderes da oposição na Venezuela, decidiu pedir asilo político a um "país amigo" em vez de comparecer a um tribunal venezuelano para responder a um processo por corrupção. A informação foi divulgada ontem pelo partido de Rosales, Um Novo Tempo, que acusa o presidente Hugo Chávez de perseguí-lo por questões políticas. "A entrega de Rosales não seria uma entrega à Justiça, mas a Chávez, que o está perseguindo", afirmou Omar Barboza, presidente do Um Novo Tempo. Segundo ele, o líder opositor está escondido em algum lugar na Venezuela desde março. Há mais de 30 anos na política, Rosales já foi duas vezes governador de Zulia, Estado mais populoso e rico em petróleo do país. Nas eleições de 2006, ele concorreu à presidência contra Chávez, mas foi derrotado. No ano passado, começou a ser investigado por corrupção. Durante a campanha para as eleições regionais de novembro, nas quais Rosales concorreu à prefeitura de Maracaibo (capital de Zulia), o presidente ameaçou prendê-lo e o chamou de "ladrão" e "mafioso". "Estou decidido a meter Rosales na cadeia", disse Chávez. "Um ladrão como ele não pode ficar livre, nem governar." A promotoria venezuelana pediu a prisão de Rosales há um mês, acusando-o de enriquecer de forma ilícita entre 2002 e 2004, quando era governador de Zulia. Se for condenado, o opositor pode pegar de 3 a 10 anos de prisão. Esperava-se que na audiência em que Rosales se recusou a aparecer, ontem, um tribunal venezuelano pudesse decidir se acataria ou não o pedido de prisão. Mas a sessão foi adiada para o dia 11, pois os advogados do opositor tampouco compareceram, alegando que receberam de um político dissidente a transcrição de uma sentença predeterminada da juíza responsável pelo caso. "Rosales se apresentará aos tribunais quando houver estado de direito na Venezuela", afirmou Barboza. "Se ele for preso, se transformará num troféu do governo, que quer intimidar a oposição." Em Zulia, estudantes declararam-se em "rebelião democrática" em apoio a Rosales. Diante de seguidores do líder opositor, a mulher de Rosales, Evelyn Trejo, prometeu "lutar" para que ele seja julgado por uma "Justiça transparente".OFENSIVAAs ameaças de prisão fazem parte de uma série de ofensivas lançadas por Chávez contra a oposição após as eleições regionais. Na votação, os opositores venceram em cinco Estados que concentram 45% da população e 70% da atividade econômica venezuelana, além de nas duas principais cidades do país: Caracas e Maracaibo. Desde então, foram abertos processos contra três dos cinco governadores opositores (um quarto governador já respondia a processo). O presidente também vem adotando medidas para esvaziar o poder de líderes da oposição. Recentemente, por exemplo, ele nomeou, com base em uma nova lei, uma figura que terá poderes sobre o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. Atualmente, 272 políticos, opositores ou dissidentes, estão impedidos pela Justiça venezuelana de participar de eleições por 15 anos e mais de 200 estudantes que participaram de protestos anti-Chávez foram proibidos de deixar a Venezuela. Desde 2002, 20 opositores e dissidentes ficaram detidos por até seis anos sem uma sentença judicial.

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