Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Rival de Chávez tem prisão solicitada

Manuel Rosales, denunciado pelo Ministério Público venezuelano por enriquecimento ilícito, diz que acusação é política

Ruth Costas, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

O Ministério Público venezuelano entrou ontem na Justiça com pedido de prisão preventiva do prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, o principal líder político da oposição no país. Segundo a promotora Katiuska Plaza, Rosales deve ficar detido enquanto as autoridades investigam denúncias de enriquecimento ilícito contra ele. Um juiz deve decidir se acatará o pedido em até 20 dias. O líder opositor é acusado de corrupção, evasão fiscal, doação irregular de veículos do Estado e improbidade administrativa durante o período em que foi governador do Estado de Zulia, entre 2000 e 2008. Rosales diz que já apresentou as provas de sua inocência, mas as autoridades nem chegaram a analisá-las. Se for condenado, pode pegar até 10 anos de prisão.Como boa parte dos juízes costuma decidir alinhada com o presidente Hugo Chávez - reformas legais permitiram a substituição dos que decidiam com autonomia -, são grandes as chances de o pedido de prisão ser aceito. Indignado, Rosales acusou o presidente de estar por trás da medida. "Essa não é uma ordem da promotoria, mas de Chávez", denunciou. O prefeito enfrentou o presidente nas eleições de 2006, quando obteve cerca de 40% dos votos. "Eles (os chavistas) querem me calar, me apagar da política, mas vou enfrentá-los mesmo assim", completou. Seu partido, Nuevo Tiempo, também qualificou o pedido de prisão de "vingança eleitoral".Zulia abriga o principal polo petrolífero da Venezuela. Durante a campanha das eleições regionais de novembro, nas quais concorreu pela Prefeitura de Maracaibo (capital do Estado e a segunda maior cidade do país), Chávez ameaçou prendê-lo e o chamou de "ladrão" e "mafioso". "Estou decidido a meter Rosales na cadeia", afirmou o presidente na época. "Um ladrão como esse não pode ficar livre, nem governar." MEDIDAS RADICAISO pedido de prisão foi feito em um momento de grande tensão na Venezuela. Nos últimos meses, o presidente baixou decretos tirando dos governadores e prefeitos opositores uma série de atribuições (mais informações na página seguinte). No domingo, amparando-se numa lei aprovada pela Assembleia Nacional, Chávez anunciou a tomada dos três principais portos da Venezuela, que eram controlados por governos estaduais da oposição - incluindo o porto de Maracaibo, fonte de recursos para o governo Rosales. "Chávez está tomando medidas radicais porque se sentiu fortalecido após vencer o referendo de fevereiro", disse ao Estado Francine Jácome, do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos, referindo-se à consulta que permitirá ao venezuelano reeleger-se indefinidamente. "Ele quer esvaziar o poder dos opositores e evitar um modelo de gestão alternativo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.