MARTÍN ALIPAZ/EFE
MARTÍN ALIPAZ/EFE

Rival de Evo Morales fugiu para o Brasil

Senador Roger Pinto, refugiado há mais de um ano na embaixada brasileira em La Paz, estaria na cidade de Corumbá (MS)

EFE, AFP e Reuters,

24 de agosto de 2013 | 22h53

LA PAZ - O senador boliviano Roger Pinto escapou da Bolívia e já estaria em território brasileiro, declarou seu advogado, Fernando Tiburcio, à agência Reuters. Segundo ele, o dissidente, que estava refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz desde 28 de maio de 2012, deixou a legação diplomática e deve dar uma coletiva de imprensa na segunda-feira.

A entrevista, possivelmente, será realizada em Brasília, de acordo com uma fonte ouvida pela agência de notícias EFE e que pediu para não ser identificada por “razões de segurança” e porque se trata de um “tema delicado” para os governos de Bolívia e Brasil. “Não podemos antecipar nada sobre o assunto. É tudo muito delicado.”

Outras fontes de alto escalão dos governos boliviano e brasileiro consultadas pela EFE confirmaram a notícia e disseram que Pinto estaria na cidade de Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia. Sua família, ainda de acordo com a EFE, mudou-se para Brasileia (AC) e estaria pronta para reencontrar o senador “nos próximos dias”.

O governo brasileiro já teria sido informado sobre o assunto e teria organizado uma reunião de emergência que contou com a presença de funcionários de alto escalão, como o assessor especial da Presidência do Brasil para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

A agência France Presse também confirmou a informação com deputados bolivianos da oposição. “Queremos manifestar nossa profunda alegria por esta notícia ao entender que não somente é um tema de humanidade, mas um princípio fundamental de respeito aos tratados internacionais no marco do asilo político”, disse o parlamentar Tomás Monastério.

Já Amanda Dávila, ministra da Comunicação da Bolívia, afirmou: “Até que o Brasil se pronuncie, o senador ainda está na embaixada em La Paz, porque o governo boliviano não deu salvo-conduto para que ele saísse”.

Opositor do presidente Evo Morales, Pinto se diz perseguido por suas posições políticas e por ter acusado membros do governo de envolvimento com o narcotráfico. Pesam contra ele mais de 20 acusações de corrupção na Justiça, todas negadas pelo senador. Ele também é acusado de envolvimento no massacre de Pando - choque entre agricultores e opositores que deixou 17 mortos em 2008.

Em maio de 2012, Pinto entrou na Embaixada do Brasil em La Paz e pediu asilo político. Ele disse a diplomatas estar em situação insustentável e ter sido ameaçado de morte. Dez dias depois, o governo da presidente Dilma Rousseff anunciou a concessão de asilo, mas Bolívia se recusou a dar o salvo-conduto necessário para que ele viajasse para o Brasil. Desde então, Brasília e La Paz negociam de maneira discreta a libertação do senador.

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