Rival de Hu no partido, vice chinês deixa posto

Zeng Qinghong não é escolhido para o Comitê Central do PC e ficará de fora da eleição para o núcleo do poder

José Eduardo Barella, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2007 | 00h00

O 17º Congresso do Partido Comunista chinês terminou oficialmente ontem, no Grande Salão do Povo, em Pequim, com uma surpresa - a queda do vice-presidente Zeng Qinghong, considerado rival político do presidente Hu Jintao. Zeng não foi reeleito para o Comitê Central, órgão de 371 membros que escolhe a liderança do partido e determina suas diretrizes políticas. No último dia do congresso, os 2.235 delegados escolheram ainda os 127 membros da comissão de disciplina e aprovaram a inclusão, na constituição do PC, da teoria de "desenvolvimento científico sustentável", pregada por Hu.Além de Zeng, a agência oficial Nova China anunciou que outros dois integrantes do Comitê Permanente do Politburo (o principal órgão do Comitê Central), um ministro e dois vice-ministros também foram barrados na votação realizada ontem pelos delegados. Com isso, eles ficarão de fora da eleição para o Politburo (22 membros) e de seu Comitê Permanente (9 membros - o verdadeiro núcleo de poder do PC), cujas composições serão votadas hoje pelos novos integrantes do Comitê Central.A queda de Zeng, filho de um veterano da Revolução de 1949, é um sinal da intensa luta de bastidores que foi travada no congresso para renovar a cúpula partidária. Embora Hu tenha sido o maior beneficiado, não está descartada a possibilidade de que a saída de Zeng do Comitê Central faça parte de uma negociação mais ampla entre as duas maiores facções do partido - uma de Hu e a outra comandada pelo ex-presidente Jiang Zemin, a quem Zeng era ligado. Um indício desse acerto é a reeleição de um importante aliado de Jiang, Jia Qinglin, envolvido em um escândalo de corrupção. Jia faz parte do Comitê Permanente do Politburo. Os outros dois dirigentes barrados são Wu Guanzheng, até então secretário da comissão de disciplina, e Luo Gan, secretário de assuntos políticos e legais. Todos os afastados beiram os 70 anos, um limite de idade sugerido, mas não obrigatório, de aposentadoria de altos cargos no partido. A saída deles abre caminho para a renovação de pelo menos quatro das nove vagas do Comitê Permanente (o quarto membro a ser substituído, Huang Ju, morreu em junho). Outros preteridos na eleição do Comitê Central são o ministro da Defesa, Cao Gangchuan, e a vice-primeira-ministra Wu Yi, a única mulher a integrar o Politburo e conhecida por suas posições duras ao representar a China nas negociações comerciais internacionais.No discurso de encerramento, Hu exaltou a inclusão de sua principal bandeira no programa do partido, a teoria do desenvolvimento científico sustentável - uma política de investimentos no campo para diminuir a crescente desigualdade social, mas que não agridam o meio ambiente. A China é o país mais poluído do mundo. "O desenvolvimento científico sustentável é uma mescla dos princípios do marxismo-leninismo, com o pensamento de Mao Tsé-tung e a teoria de Deng Xiaoping do crescimento econômico para construirmos uma sociedade moderadamente próspera", disse Hu.Mas será na eleição de hoje que será possível avaliar a força do presidente chinês, que deve ser reeleito. Na primeira sessão plenária do novo Comitê Central serão escolhidos o secretário-geral, titulares e suplentes do Politburo e o Comitê Permanente, de onde sairá o sucessor de Hu em 2012. Dois nomes despontam: Li Keqiang, líder do PC na Província de Liaoning e aliado de Hu; e Xi Jinping, chefe do partido em Xangai, protegido de Zemin e considerado favorito.

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