Rival de Mugabe é preso pela 3ª vez em duas semanas

Líderes opositores são detidos a menos de um mês do segundo turno das eleições, marcadas para o dia 27

Agências internacionais,

12 de junho de 2008 | 10h35

A polícia deteve nesta quinta-feira, 12, pela terceira vez em duas semanas, o candidato rival do presidente Robert Mugabe, Morgan Tsvangirai. Mais cedo, o secretário-geral do partido opositor do Zimbábue, Tendai Biti, considerado o número dois da legenda, também foi preso ao desembarcar no país. A informação foi confirmada por fontes do Movimento para a Mudança Democrática (MCD, sigla em inglês).   Veja também:   Documentos mostram campanha militar pró-Mugabe no Zimbábue   Tsvangirai foi preso enquanto seguia para um comício em Kwekwe. Libertado duas horas depois e seguiu para a campanha com outros 20 membros do partido. Os funcionários do partido disseram que Biti foi detido ao retornar ao Zimbábue, procedente da África do Sul. A polícia informou que Biti estava sendo acusado de traição - pode, por isso, receber a pena de morte. Também foi acusado de fazer declarações "prejudiciais ao Estado", segundo o porta-voz da polícia Wayne Bvudzijena.   Tsvangirai, vencedor do primeiro turno das eleições presidenciais, foi detido duas vezes na semana passada enquanto fazia campanha. Tsvangirai, que denunciou ser objetivo de uma conjuntura militar para assassiná-lo, voltou ao país no dia 24 de maio. Biti era um dos principais negociadores de um possível acordo entre a oposição e a situação. A prisão dele pode ser um sinal da rejeição do grupo de Mugabe a negociações para tirar o país da crise política e econômica em que se encontra.   Funcionários do governo já haviam demonstrado o desejo de interrogar Biti, por ele supostamente ter cometido uma ilegalidade ao divulgar resultados do primeiro turno das eleições, ocorrido em 29 de março. Bvudzijena admitiu que Biti estava em poder da polícia, mas não soube dizer onde. O porta-voz informou que o oposicionista seria acusado "assim que encerrarmos nossa investigação", sem precisar uma data. O próprio Tsvangirai só retornou ao Zimbábue em 24 de maio. A campanha oposicionista tem sido alvo de atos violentos, atribuídos às forças leais a Mugabe.   A oposição, diplomatas estrangeiros no país e agências humanitárias internacionais, assim como um grande setor da população; acusam Mugabe de usar a violência contra os partidários de Tsvangirai para garantir a vitória do presidente no segundo turno.   Atrocidade   Segundo o jornal britânico The Times, a mulher de Patson Chipiro, líder da oposição no distrito de Mhondoro, foi assassinada por membros da milícia ligada ao governo de Mugabe. Dadirai foi amarrada queimada viva na casa que foi incendiada por homens que procuraram o marido.   Dadirai, uma ex-professora de 45 anos, foi a segunda mulher de oficiais do Movimento para a Mudança Democrática queimada viva por militantes do partido governista Zanu (PF). Pamela Pasvani, uma gestante de 21 anos e mulher de um líder local de Harare, não sofreu mutilações, mas morreu por conta da gravidade das queimaduras; sua filha de 6 anos morreu nas chamas.   Matéria atualizada às 12 horas.

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