Rival de Musharraf prepara retorno ao Paquistão

Ex-premiê Nawaz Sharif esteve em Riad para negociar com a família saudita sua volta a Islamabad

Agências internacionais,

22 de novembro de 2007 | 18h25

O ex-premiê paquistanês exilado Nawaz Sharif viajou nesta quinta-feira, 22, para a capital da Arábia Saudita, Riad, onde deve participar de um encontro com membros da família real. A manobra está sendo interpretada como a preparação final para o retorno do líder oposicionista ao Paquistão.  Veja também:Justiça do Paquistão abre caminho para reeleição de MusharrafCronologia do estado de emergência no PaquistãoEntenda a crise Segundo Raja Ashfaq, líder do partido de Sharif, o ex-premiê indicou na quarta-feira, 21, que seu retorno está sendo negociado com autoridades sauditas. Ainda de acordo com Ashfaq, o ex-premiê deve realizar a viagem antes das eleições parlamentares de janeiro. O ex-premiê é um dos maiores críticos do presidente paquistanês Pervez Musharraf, que chegou ao poder em um golpe que depôs Sharif em outubro de 1999. Seu retorno ao Paquistão pode representar uma grande desafio político ao partido que apóia Musharraf e ao partido da líder oposicionista Benazir Bhutto. Em setembro, Sharif tentou voltar ao Paquistão após uma decisão da Suprema Corte paquistanesa que abriu o caminho para o seu retorno. Logo após desembarcar em Islamabad, no entanto, ele foi enviado de volta à Arábia Saudita. Ainda não está claro como será a reação das autoridades paquistanesas a um eventual retorno do ex-premiê.  Não mais detalhes sobre o acordo entre Sharif e as autoridades sauditas. Sabe-se, no entanto, que Musharraf esteve reunido com o rei Abdullah em Riad no início desta semana.  Outra ex-premiê, a aliada dos EUA Benazir Bhutto, também voltou ao Paquistão recentemente depois de oito anos de exílio.  Segundo o New York Times, após o retorno de Bhutto - uma liderança de traços mais seculares - as autoridades sauditas passaram a pressionar o governo paquistanês para que Sharif também possa voltar, dado que o ex-premiê é visto como mais conservador e com inclinações religiosas.  Desde que Bhutto retornou ao Paquistão, Musharraf impôs um estado de emergência para permitir que sua reeleição como presidente seja legitimada sem a intervenção da Suprema Corte. A Constituição paquistanesa impede que o presidente do país acumule a chefia do Exército, como acontece com Musharraf. Com o estado de emergência, no entanto, o presidente pôde demitir os juízes críticos ao seu governo e abriu caminho para que as reclamações contra sua reeleição fossem retiradas.  Nesta quinta-feira, a Suprema Corte negou o último pedido que impediria Musharraf de tomar posse.

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