EFE/EPA/JINIPIX
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Rival aceita formar governo de união com Netanyahu

Eleito presidente do Parlamento, Benny Gantz disse que aceitaria participar de um governo de 'emergência nacional' liderado por Bibi

Redaçao, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 14h37
Atualizado 26 de março de 2020 | 21h02

JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, vem justificando o apelido de “Mágico”. Quando tudo parecia perdido, ele surgiu nesta quinta-feira, 26, mais perto de se manter no poder, mesmo tendo sido indiciado por crimes de suborno, fraude e quebra de confiança. Benny Gantz, ex-chefe do Exército e líder do maior partido de oposição, foi escolhido como presidente do Parlamento.

Gantz fez campanha com a promessa de tirar Netanyahu do poder. Hoje, porém, ao anunciar sua decisão, ele disse que aceitaria participar de um governo de “emergência nacional” liderado por Bibi. “São tempos incomuns”, disse o ex-general, que alegou ser sua obrigação unir o país contra a pandemia de coronavírus. “Não é hora de divisões. É preciso dar as mãos e tirar Israel da crise.”

A decisão de Gantz foi considerada como traição dentro do partido Azul e Branco. Para os aliados de Netanyahu, a mudança justifica a fama do premiê, de um político que não pode nunca ser subestimado. Nos últimos 12 meses, Israel passou por três eleições com resultados parecidos – Bibi e Gantz dividindo 50% dos votos, enquanto outra metade era fragmentada entre partidos menores. Ninguém conseguiu maioria para formar um governo.

Diante do sucesso de Netanyahu, Gantz decidiu adotar uma postura pragmática. A votação da indicação de Gantz foi aprovada com 74 parlamentares a favor, incluindo muitos do bloco de direita de Netanyahu e 18 contra. Alguns partidos, incluindo a facção do próprio partido de Gantz, boicotaram a votação.

Durante o impasse político, Netanyahu ridicularizou Gantz, questionou sua sanidade mental e seu patriotismo. Hoje, conseguiu cooptar o rival e praticamente assegurou um quarto mandato – decisão que rachou ao meio o partido Azul e Branco. Duas figuras importantes, Yair Lapid e Moshe Yaalon, criticaram o ex-general e formaram um facção nova no Parlamento.

“O que está sendo formado em Israel não é um governo de emergência nacional, nem um governo de união nacional. É um outro governo de Netanyahu. Benny Gantz se rendeu sem lutar e rastejou na direção de Netanyahu”, disse Lapid. 

Anshel Pfeffer, analista israelense, disse que a decisão de Gantz tem uma explicação simples. “Por que Gantz desistiu? Porque ele está cansado. Qualquer um ficaria após 14 meses sendo achincalhado e humilhado por Netanyahu”, disse. “Agora, a maioria dos israelenses quer um governo de união para combater a pandemia de coronavírus.”

Durante a eleição, repetidas vezes Gantz disse que as acusações de corrupção que pesam contra Netanyahu o desqualificavam para servir como primeiro-ministro.

O papel de Gantz no novo governo, no entanto, ainda não está claro, assim como a configuração das novas forças no Parlamento após o racha do partido Azul e Branco. Até agora, Israel teve confirmados mais de 2,6 mil casos de coronavírus e registrou 8 mortos. Os israelenses estão em confinamento e só podem sair para comprar artigos de primeira necessidade e somente com autorização. /AFP


 

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