Rival de Putin, Berezovski morre em Londres

Magnata russo manteve negócios com o futebol brasileiro e financiou investimentos no Corinthians em 2005

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, / COLABOROU VITOR MARQUES, COM AP, NYT, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2013 | 02h05

O oligarca russo Boris Berezovski, de 67 anos, foi encontrado morto ontem na casa em que morava na vila de Ascot, a 40 km de Londres. O corpo de Berezovski, que já foi o homem mais rico da Rússia e teve grande influência no governo de Boris Yeltsin (1991-1997), estava na banheira da residência. Um dos maiores rivais do atual presidente, Vladimir Putin, Berezovski vivia na Grã-Bretanha desde 2000.

A polícia diz que a morte é tratada como "não esclarecida". Um dos advogados do magnata, Alexander Dobrovinski, afirmou que o cliente cometeu suicídio.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse ontem que o magnata escreveu uma carta ao presidente "admitindo erros" e pedindo para regressar à Rússia.

Recentemente, Berezovski começou a vender bens, incluindo um iate, após ser condenado a pagar cerca de US$ 100 milhões das custas de um processo movido contra outro magnata russo, Roman Abramovich, dono do clube britânico de futebol Chelsea e rival de Berezovski no setor de petróleo.

Berezovski acusava Abramovich de tê-lo chantageado a vender ações da companhia Sibneft e cobrava US$ 5,1 bilhões em reparações. A Justiça britânica, no entanto, arquivou o processo por considerar Berezovski uma "testemunha não confiável".

Fortuna. Berezovski começou a construir seu império no fim do regime soviético, investindo em computadores e automóveis. Quando a União Soviética ruiu, em 1991, o magnata era o único a ter uma frota suficiente para iniciar uma empresa de revenda de carros diante do início da era capitalista.

Seu próximo passo foi criar uma fábrica de carros, a Avtrovaz, e entrar no ramo de energia, principalmente o de petróleo, com a empresa Sibneft. Sua aliança com Yeltsin ainda o ajudou a eleger-se membro da Duma, o Parlamento russo.

Berezovski apoiou a ascensão de Vladimir Putin, mas em pouco tempo se voltou contra o presidente. Após sua primeira posse no cargo, em 2000, Putin anunciou um esforço nacional para cobrar impostos de grandes bilionários, incluindo Berezovski, que renunciou à sua cadeira na Duma, se refugiou e pediu asilo político em Londres.

Desde então, o oligarca tornou-se um dos mais ferozes críticos do líder russo, e foi acusado de financiar movimentos armados contra o presidente. "Ele (Putin) é perigoso para a Rússia e também para o mundo", acusou Berezovski em entrevista concedida ao Estado em 2007.

O magnata russo sobreviveu a diversas tentativas de assassinato nas últimas décadas.

Brasil. Tão nebulosa quanto a morte de Berezovski foi sua chegada ao mercado do futebol brasileiro, na parceria envolvendo o Corinthians e o fundo de investimento Media Sports Investment (MSI), entre 2004 e 2007. Berezovski foi apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos investidores do MSI.

Acusado de lavagem de dinheiro, o magnata russo estaria por trás dos mais de R$ 30 milhões injetados no Corinthians. Berezovski chegou a ter prisão decretada no Brasil pela Justiça Federal, após denúncia do MPF.

Presidente do Corinthians à época, Alberto Dualib, e outros cartolas do clube negavam envolvimento de Berezovski na parceria. Um dos diretores do Corinthians à época era Andrés Sanchez, que sucederia Dualib na presidência.

Quem representava a MSI era o iraniano Kia Joorabchian, outro personagem controverso. Kia, que vive na Inglaterra e atua como empresário de jogadores.

A parceria foi um desastre para o Corinthians. Com o clube mergulhado em dívidas e envolvido no escândalo MSI, Alberto Dualib renunciou à presidência e o time foi rebaixado à Segunda Divisão no Campeonato Brasileiro em 2007.

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