EFE/Alejandro García
EFE/Alejandro García

Rivera abraça liberalismo para aumentar representatividade do Ciudadanos

Fundador do Ciudadanos, partido que deixou a orientação social-democrata para abraçar o liberalismo, catalão Albert Riveras

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2019 | 12h07

MADRI - As eleições legislativas do próximo domingo, 28, na Espanha marcam uma nova guinada na carreira política de Albert Rivera, líder do Ciudadanos, que busca ampliar o poder do partido na próxima composição do Congresso.

Aos 39 anos, com uma carreira forjada como rival do movimento nacionalista catalão, Rivera tenta transformar o Ciudadanos no partido mais votado da centro-direita, deixando para trás as orientações sociais-democratas adotadas na fundação da legenda.

Rivera foi criado na periferia de Barcelona e teve anos difíceis no início de sua trajetória política como crítico do nacionalismo e da corrupção na região da Catalunha, onde passou a maior parte da vida.

Em 2006, foi membro-fundador e primeiro presidente do Ciudadanos. Sob sua liderança, o partido cresceu de forma exponencial, levando-o a ser um dos três parlamentares mais votados nas eleições para o parlamento regional da Catalunha naquele mesmo ano.

A campanha de Rivera na ocasião ficou bastante famosa. O hoje candidato a governar o país posou nu em um cartaz que trazia uma mensagem igualmente desafiadora: "Só as pessoas importam".

Rivera surgiu no cenário nacional em 2015, em uma tentativa de romper o bipartidarismo e se posicionar como uma terceira via entre o Partido Popular (PP), principal representante da direita conservadora, e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior entre os grupos de esquerda do país.

Além de um pacto de governo frustrado com o PSOE e outro bem-sucedido com o PP para dar apoio parlamentar ao ex-premiê Mariano Rajoy, ambos em 2016, Rivera soube manter o papel centrista nos governos regionais ou municipais, fazendo acordos eventuais com os partidos majoritários quando os parlamentares do Ciudadanos eram necessários para conquistar maioria.

A crise após a fracassada tentativa separatista da Catalunha em outubro de 2017 deu novo impulso ao Ciudadanos, mais votado nas eleições regionais do fim deste mesmo ano, apesar de os independentistas terem mantido maioria no parlamento catalão.

A vitória parcial na Catalunha deu ainda mais protagonismo ao Ciudadanos em nível nacional. No entanto, apesar da queda que as pesquisas projetam para o PP, os votos da direita não estão migrando para Rivera e seus correligionários, que seguem na terceira posição nas pesquisas de intenção de voto dos espanhóis.

Também em 2017, o Ciudadanos deixou a orientação social-democrata para abraçar o liberalismo, algo ressaltado por Rivera na atual campanha para as eleições regionais. A estratégia visa arrebatar os votos da centro-direita e da direita, disputados com o PP e com o Vox, legenda radical que ganhou força na última eleição regional.

Associado a um verniz modernista, o liberalismo também é usado por Rivera para atrair eleitores jovens e urbanos, movimento que visa consolidar o partido como líder da direita na Espanha.

Rivera afirmou reiteradas vezes ao longo da campanha que jamais aceitará uma aliança com o PSOE, do atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez, que lidera as pesquisas eleitorais. O líder do Ciudadanos é um dos principais críticos do pacto dos socialistas com os independentistas catalães e bascos para chegar ao poder.

No entanto, as pesquisas mostram que uma aliança entre PSOE e Ciudadanos é o caminho mais fácil para atingir a maioria parlamentar após as eleições. Rivera diz que não cederá, mas o PP usa a hipótese para roubar votos de seu principal adversário na direita espanhola

Formado em Direito na Universidade Ramon Llull, de Barcelona, Rivera foi campeão nacional da Liga de Debate Universitário e gosta de dirigir motos de alta cilindrada. / EFE

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