EFE/ Jim Lo Scalzo
EFE/ Jim Lo Scalzo

Ex-assessor de Trump é detido em caso de conluio com a Rússia; situação do presidente se complica

Promotor especial Robert Mueller acusou Roger Stone em 7 processos por obstrução de procedimento oficial, falsos testemunhos e manipulação de testemunhas

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 11h26
Atualizado 25 de janeiro de 2019 | 19h21

WASHINGTON - Aliado de longa data e ex-assessor do presidente Donald Trump, Roger Stone foi detido nesta sexta-feira, 25, no âmbito da investigação sobre o possível conluio entre a campanha presidencial de Trump e a Rússia. Stone foi liberado horas depois, após pagar fiança de US$ 250 mil,  e afirmou que não vai depor contra Trump e se declarará inocente das acusações que chamou de “motivadas politicamente”. 

Stone foi acusado pelo promotor especial Robert Mueller em sete processos: por obstrução de justiça, falsos testemunhos e manipulação de testemunhas. Esta é a primeira acusação em meses feita pelo promotor especial com o objetivo de investigar supostos esforços russos para influenciar a eleição de 2016 e favorecer Trump.

A detenção de Stone pode levar a sérias implicações para Trump após Mueller detalhar os contatos entre Stone e conselheiros da campanha republicana em 2016 sobre informações de Hillary Clinton divulgadas pelo WikiLeaks, grupo ligado ao governo russo. As acusações dizem que os contatos foram iniciados por um conselheiro antigo da campanha.

Após o WikiLeaks publicar e-mails roubados do Comitê Nacional Democrata em 22 de julho de 2016, “um conselheiro sênior da campanha de Trump entrou em contato com Stone sobre novas informações danosas que a organização 1 tivesse sobre a campanha de Hillary. Stone então falou sobre os documentos”, diz a acusação de Mueller. A “organização 1” citada se refere ao WikiLeaks.

 

Em outro trecho das denúncias, Mueller descreve “uma autoridade de alto nível ligada à campanha” que estava em contato com Stone em outubro de 2016 antes da divulgação de novas informações prejudiciais a Hillary. A autoridade era Stephen Bannon, quem depois foi estrategista-chefe de Trump.

Stone, de 66 anos, foi detido ontem por agentes do FBI em sua casa em Fort Lauderdade, Flórida. Horas depois, foi solto sob a fiança de US$ 250 mil. 

Nos últimos meses, o presidente tem tentado desqualificar suas conexões com Stone. Mas as conexões do ex-assessor com Trump continuam. 

O advogado do presidente, Rudy Giuliani, afirmou que Trump trocou alguns telefonemas com Stone durante a campanha. O ex-chefe de campanha Paul Manafort também afirmou que mantinha contatos com Stone. 

O ex-assessor começou a trabalhar com Trump nos anos 1980. Ele ajudou o magnata a avaliar se concorria à presidência em 1988. Em 2016, Stone foi um dos primeiros membros da equipe de Trump, quando o magnata anunciou sua candidatura, mas deixou o cargo meses depois por causa de um desentendimento. Trump diz que o demitiu.

Há tempos, Stone tem ligações com Manafort, que já foi considerado culpado em diversas acusações de Mueller. Os dois faziam lobby para o Partido Republicano nos anos 1980. 

Stone lançou sua carreira como assessor de campanha de Richard Nixon. Ele passou décadas assessorando várias campanhas, como as de Bob Doler, George H. W. Bush e George W. Bush. / AFP e WASHINGTON POST

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