Rohani abriu a porta, mas quer que EUA deem 1º passo

ANÁLISE: Max Fisher / W. Post

O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 02h09

Depois de oito anos de governo linha-dura com Mahmoud Ahmadinejad, os iranianos e o mundo aguardam algum sinal de que o presidente Hassan Rohani possa realizar mudanças em suas políticas interna e externa. Seu tom na entrevista de ontem foi totalmente diferente do usado por Ahmadinejad, tendo falado muitas vezes sobre um acordo com o Ocidente.

No entanto, as ações são mais importantes do que as palavras. Assim, é muito provável que o desempenho de Rohani não se coadune com sua retórica. E ele pode também ser impedido pela oposição interna, especialmente por parte do líder supremo, Ali Khamenei. Mas observamos alguns sinais alentadores na coletiva de imprensa.

Um deles foi a disposição reiterada, mas cautelosa, a um compromisso com os EUA. Rohani tem afirmado que Washington e Teerã podem resolver suas divergências e retornou a esse tema na entrevista. Mas ele teve cuidado em não parecer ansioso demais por diálogo direto com os EUA, o que internamente já custou caro a líderes iranianos. Ao ser indagado se tentaria se reunir com o presidente Barack Obama na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, ele esquivou-se, dizendo que não sabe ainda se participará do encontro.

A má noticia é que ele deseja que os EUA deem o primeiro passo, suspendendo as sanções. O dilema em qualquer processo de reconciliação é que, com frequência, um dos lados terá de fazer a primeira concessão. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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