Iranian Presidency Office / AP
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Rohani diz que Irã violará sanções impostas pelos EUA e seguirá com venda de petróleo

Presidente iraniano diz que está ‘em uma situação de guerra econômica e enfrentando uma tentativa de intimidação’

O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2018 | 09h54

DUBAI - O Irã seguirá com a venda de petróleo, violando as sanções impostas novamente pelos Estados Unidos contra os setores bancário e de energia do país, afirmou o presidente iraniano, Hassan Rohani, nesta segunda-feira, 5.

“Os EUA queriam cortar a zero as vendas de petróleo do Irã, mas nós continuaremos a vender o nosso petróleo para violar as sanções”, disse Rohani a economistas durante uma reunião transmitida ao vivo pela televisão estatal.

O mandatário iraniano prometeu também “contornar com orgulho” as novas sanções. "Anuncio que vamos contornar com orgulho suas sanções ilegais e injustas, uma vez que elas são contrárias ao direito internacional."

Washington afirmou na sexta-feira que permitirá temporariamente que oito importadores continuem a comprar petróleo iraniano quando as sanções - que têm como objetivo forçar Teerã a encerrar suas atividades nucleares e de mísseis - forem impostas novamente nesta segunda.

Acredita-se que China, Índia, Coreia do Sul, Japão e Turquia  - todos importantes importadores do petróleo iraniano - estarão entre os oito países que receberão as isenções temporárias para garantir que os preços do petróleo não sejam desestabilizados.

A retomada das sanções faz parte de esforços do presidente americano, Donald Trump, para forçar o Irã a encerrar seus programas nucleares e de mísseis, assim como seu apoio às forças no Iêmen, Síria, Líbano e em outras partes do Oriente Médio.

Guerra econômica

"Estamos em uma situação de guerra econômica e enfrentando uma tentativa de intimidação, e não acho que na história americana tenha havido alguém na Casa Branca a ponto de contrariar as leis e convenções internacionais", disse Rohani.

Adotando uma política hostil em relação ao Irã desde que assumiu o cargo em janeiro de 2017, Trump, para quem o acordo nuclear é uma aberração, restabeleceu em agosto uma primeira série de sanções econômicas contra Teerã.

Elas funcionam como uma chantagem contra países que negociam atualmente com o Irã: empresas asiáticas ou europeias serão banidas do mercado americano se continuarem a importar petróleo iraniano, ou realizar operações com bancos iranianos. Muitos já escolheram ou vão escolher os EUA.

Oito países, no entanto, irão se beneficiar de uma isenção para o petróleo, incluindo a Turquia e, possivelmente, a China e a Índia. A lista será anunciada nesta segunda.

Este regime de isenção é semelhante ao que os EUA praticaram de 2012 a 2015, antes do acordo nuclear do Irã negociado sob Barack Obama. Na época, China, Índia, Turquia, Coreia do Sul, Japão e Taiwan foram poupados das sanções americanas, uma vez que estavam gradualmente reduzindo suas importações de petróleo iraniano. Anos depois, a administração Trump assumiu o mesmo argumento. "Há um grupo de países que já reduziu significativamente suas importações de petróleo e que precisa de um pouco mais de tempo para chegar a zero, e nós daremos esse tempo", disse o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, em entrevista no domingo ao canal Fox.

'Desconectar o Irã'

Sobre as sanções financeiras, mais de 600 indivíduos e entidades no Irã serão colocados em uma lista de alvos das sanções, um número superior ao estabelecido após a conclusão do acordo de 2015.

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, explicou na semana passada que os EUA querem desconectar o Irã do sistema bancário internacional Swift, a espinha dorsal do sistema financeiro global, como foi o caso de 2012 a 2016.

A economia iraniana já sofria muitos males antes da ofensiva de Trump. As exportações de petróleo, que respondem por 40% das receitas do Estado iraniano, segundo o Banco Mundial, caíram 2,5 milhões de barris por dia para 1,6 milhão de barris em setembro.

Para continuar a vender seu petróleo bruto, os petroleiros iranianos estão há algumas semanas desligando seus transponders para não serem vistos, mas os satélites os rastreiam.

O maior mercado para o petróleo iraniano é a China, seguido pela União Europeia, Índia e Turquia. O Japão e a Coreia do Sul praticamente reduziram suas importações a zero.

Apesar da animosidade, Trump reitera que está disposto a se reunir com os líderes iranianos para negociar um acordo global com base em 12 condições: restrições muito mais firmes e duradouras sobre o nuclear, mas também o fim da proliferação de mísseis e atividades consideradas "desestabilizadoras" de Teerã no Oriente Médio.

"Continuamos prontos para chegar a um novo acordo mais abrangente com o Irã", disse Trump na sexta-feira. Mas os iranianos já disseram que rejeitam um diálogo com Washington. "Não haverá negociações com os EUA", afirmou o aiatolá Khamenei em agosto. / REUTERS e AFP

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