Rohani e a busca iraniana por uma bomba nuclear

É importante lembrar o papel de Hassan Rohani, próximo presidente do Irã, na interrupção do programa nuclear da Guarda Revolucionária, confirmada pelos EUA, em 2007, e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em 2011. Com base em conversas que tive com funcionários do alto escalão iraniano, acredito que Rohani tenha sido crucial no processo.

CENÁRIO: François Nicoullaud / The New York Times, , É EX-EMBAIXADOR DA FRANÇA EM TEERÃ, CENÁRIO: François Nicoullaud / The New York Times, , É EX-EMBAIXADOR DA FRANÇA EM TEERÃ, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2013 | 02h08

A primeira ocorreu depois que Rohani se tornou o principal negociador nuclear do Irã, em 2003, e assinou um acordo para suspensão do enriquecimento de urânio com os chanceleres alemão, britânico e francês. Um funcionário de alto escalão me confidenciou que, após a reunião, Rohani emitiu uma circular pedindo a todos os ministérios e agências que informassem detalhes de suas atividades nucleares.

Semanas mais tarde, ouvi de outro funcionário que foi difícil convencer os pesquisadores a interromper os projetos. Contei a ele um caso semelhante de um país europeu que teve de implementar a Convenção sobre Armas Químicas. No caso, os pesquisadores tiveram tempo e recursos para arquivar todos os dados para o futuro.

Mais tarde, meu interlocutor me relatou satisfeito: "Transmiti sua mensagem. Funcionou!" Minha convicção de que esses funcionários estavam falando do programa nuclear foi reforçada quando o relatório da AIEA disse: "Os membros da equipe continuaram exercendo seus cargos para arquivar as realizações dos seus projetos".

Evidentemente, fechar um programa da Guarda Revolucionária exigiu o aval do aiatolá Ali Khamenei, mas havia dois fortes motivos para isso. Primeiro, até o fim de 2003, o arqui-inimigo do Irã, Saddam Hussein, havia sido eliminado pelos EUA e foi confirmado que o programa nuclear iraquiano fora interrompido após a Guerra do Golfo, em 1991.

Em segundo lugar, em 2003, durante visita dos chanceleres alemão, britânico e francês, Rohani concordara não apenas em suspender as atividades de enriquecimento como também em assinar e colocar em vigor o Protocolo Adicional da AIEA, que abria o país para visita de inspetores internacionais. Rohani não pôde reivindicar o crédito de ter interrompido o programa porque ele nunca existiu oficialmente. Mas as medidas que ele tomou, fazem acreditar que ele seja capaz de encontrar uma solução negociada para a crise nuclear. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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