REUTERS/Raheb Homavandi
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Rohani fará 1ª visita de um presidente iraniano à Europa em 16 anos

Presidente moderado eleito em 2013 visitará Itália e França a partir deste sábado; ele deve se encontrar também com o papa Francisco

O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 14h51

TEERÃ - O presidente do Irã, Hassan Rohani, inicia neste sábado, 14, uma visita à Itália e França, a primeira viagem europeia de um presidente iraniano em 16 anos, o que ilustra o bom relacionamento desde a assinatura do acordo nuclear, em julho. A última visita de um chefe de Estado iraniano foi em 2005, quando o reformista Mohamed Khatami visitou Roma e Paris. Em 1999 ele já havia visitado Itália e França, ocasião em que foi o primeiro presidente iraniano a ir à Europa desde a revolução islâmica de 1979.

A visita de quatro dias de Rohani, religioso moderado eleito em 2013, será dominada por questões geopolíticas, incluindo o conflito sírio, mas também comerciais e religiosos, com um encontro previsto no Vaticano com o papa Francisco.  Itália e França eram, antes das sanções impostas ao Irã em 2006, os dois principais parceiros comerciais europeus do país, e desejam retomar a parceria com a República Islâmica, rica em petróleo e gás.

As esperanças ressurgiram com a assinatura, em 14 de julho, do acordo nuclear iraniano, após dois anos de tensas negociações entre o Irã, Estados Unidos, China, Rússia, França, Grã-Bretanha e Alemanha.

Este acordo deve permitir a suspensão em 2016 das sanções que freiam o desenvolvimento do Irã, em troca do compromisso de limitar seu programa nuclear civil e renunciar às armas nucleares.

Desde então, Teerã tem recebido inúmeros políticos europeus que desejam normalizar as relações e empresários desejosos de garantir a sua quota em um mercado de 78 milhões de habitantes.

Roteiro. Rohani afirmou na quarta-feira, em uma entrevista ao canal de TV France 2, que seu país assinaria em Paris memorandos de entendimento em diferentes campos e "provavelmente" compraria aviões Airbus para renovar a frota iraniana.

Os ministros francês e italiano das Relações Exteriores, Laurent Fabius e Paolo Gentiloni, foram um dos primeiros a entrar em Teerã entre o final de julho e início de agosto, para transmitir um convite ao presidente.

A visita de Fabius foi seguida em setembro por uma grande delegação de 150 empresários franceses que foram estudar oportunidades de investimento no Irã. Para alguns, como as montadoras PSA e Renault, ou a petrolífera Total, presentes há tempos no Irã, trata-se de fortalecer suas atividades reduzidas pelas sanções.

Sombras. Em Paris, onde Hassan Rohani discursará na Unesco na segunda-feira, a crise síria será o foco de uma reunião na terça-feira no Palácio do Eliseu com o presidente francês, François Hollande.

O Irã é, junto com a Rússia, o principal apoiador do regime do presidente sírio Bashar Assad, para o qual fornece ajuda financeira e militar, incluindo o envio de assessores militares na campo de batalha.

Sinal do degelo propiciado pelo acordo nuclear, o Irã participou pela primeira vez no final de outubro em Viena de uma reunião internacional que discutiu uma solução política ao conflito sírio, que já deixou mais de 250.000 mortos desde 2011. Uma nova reunião está agendada para sábado na capital austríaca.

Laurent Fabius lembrou que sobre a Síria "nós temos uma divergência fundamental com os iranianos" sobre o destino do presidente Assad, que a França considera o grande responsável pela situação atual.

Mas o presidente Rohani reiterou na quarta-feira que a solução da crise síria "não é uma questão pessoal". "Precisamos, em primeiro lugar, erradicar o terrorismo. Esta é a primeira prioridade (...) A segurança deve ser criada para as pessoas voltarem para casa", disse ele.

No Vaticano, o papa Francisco deve dizer a Rohani que deseja que o Irã influencie Assad em favor de uma transição democrática.

No plano protocolar, Teerã reiterou que Rohani se recusaria a participar de um jantar no Palácio do Eliseu, onde é servido vinho. "Em conformidade com os valores e ensinamentos do Islã", os líderes iranianos têm uma política de nunca participar de recepções onde é servido álcool, lembrou um diplomata iraniano. / AFP

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