Ebrahim Noroozi/AP
Ebrahim Noroozi/AP

Rohani usa festa para exaltar avanço atômico

Nos 35 anos da revolução, presidente garante que Teerã ‘sempre’ buscará poder nuclear; nas ruas, gritos de ‘morte aos EUA’

O Estado de S. Paulo,

11 de fevereiro de 2014 | 23h35

TEERÃ - O Irã "sempre" buscará o avanço de seu programa nuclear, afirmou na terça-feira, 11, o presidente Hassan Rohani, em meio às grandes comemorações preparadas para os 35 anos da Revolução Islâmica. O tema da crise nuclear entre iranianos e as grandes potências dominou a festa de rua em Teerã, que reuniu dezenas de milhares de pessoas.

Além do tradicional "Morte aos EUA!" entoado desde 1979 pelos iranianos, desta vez a multidão também gritou "Morte a Kerry!" e "Morte a Sherman!" - em referência ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e à principal negociadora nuclear americana, Wendy Sherman. Na terça-feira, diplomatas do Irã voltarão a se reunir em Viena com representantes do P5+1 (formado por EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) com o objetivo de alcançar, dentro de até seis meses, um acordo definitivo para a crise nuclear.

Discursando diante da multidão, Rohani criticou duramente as sanções impostas contra Teerã em razão do programa atômico. Segundo o presidente, trata-se de medidas "brutais, ilegais e erradas".

Ele também rejeitou as ameaças feitas por americanos e europeus. "Digo explicitamente aos malucos que sustentam que a opção militar (contra o Irã) está sobre a mesa: vocês devem trocar de óculos para ver melhor, nossa nação encara a linguagem de ameaças como rude e ofensiva", defendeu.

Grandes manifestações celebrando a revolução de 1979 costumam ser organizadas por grupos mais próximos à linha-dura da república islâmica. Em Teerã, era possível ver pais erguendo crianças com armas de brinquedo, em meio a cartazes com frases como "Estamos prontos para a grande batalha".

Em 11 de fevereiro de 1979, revolucionários iranianos declararam vitória sobre a ditadura do xá Reza Pahlevi - armada e apoiada pelos EUA -, a qual deu lugar a um regime híbrido entre república e teocracia sob o comando de clérigos xiitas. Rohani participou da revolução e, desde então, ocupou cargos-chave na república islâmica, incluindo o de assessor do Ministério da Defesa e de negociador-chefe do programa nuclear. No entanto, com o início do governo ultrarradical de Mahmoud Ahmadinejad, ele abandonou o cargo.

Em julho, Rohani foi eleito com o apoio de setores mais moderados e a promessa de retirar o Irã de seu isolamento internacional. Desde então, Teerã e Washington trocaram sinais de aproximação - incluindo um telefonema do presidente Barack Obama para Rohani, em setembro - e, há três meses, ambos os lados alcançaram na Suíça um inédito entendimento sobre limites ao avanço nuclear iraniano, em troca de alívio nas sanções.

O acordo firmado em novembro, entretanto, é temporário e expira em seis meses. A partir da semana que vem, o Irã e o P5+1 negociarão um acerto diplomático definitivo, que imporia controles externos ao programa atômico para impedir que ele avance em direção à bomba, em troca do fim de todas as sanções.

Na véspera das comemorações, Teerã havia anunciado o teste com sucesso de um míssil de longo alcance, além do desenvolvimento de uma nova geração de centrífugas nucleares, capazes de enriquecer urânio em uma velocidade 15 vezes superior aos primeiros aparelhos do tipo produzidos na república islâmica. Ao mesmo tempo, Rohani disse que buscaria um acordo "global" com as potências em Viena.

Na terça-feira, o presidente retornou ao tema, dizendo que a nova etapa do diálogo é um "teste" a americanos e europeus. "O Irã está disposto a manter negociações justas e construtivas com base no direito internacional. Esperamos ver do outro lado a mesma disposição", afirmou Rohani. / NYT e REUTERS

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