Rohani ‘vende’ vantagens de acordo nuclear

Líder iraniano diz à população que levantamento de sanções ajudará na recuperação da economia

Reuters

15 de junho de 2015 | 03h00

O presidente iraniano, Hassam Rouhani, fez neste domingo, 14, uma vigorosa defesa das negociações nucleares e prometeu alcançar um acordo que leve ao fim das sanções. As declarações foram feitas durante uma marcha na cidade de Bojnord, noroeste do Irã, para marcar o segundo aniversário de sua eleição, em 2013, que Rouhani usou para destacar os benefícios de reduzir o isolamento internacional do país.

“Com a orientação do líder supremo e o apoio do povo, enriqueceremos tanto o urânio quanto a economia do Irã”, declarou a uma multidão. “Queremos que a nação seja feliz e produtiva, que tenha uma economia forte, bem estar social – e centrífugas também”, acrescentou o presidente.

Enquanto a equipe negociadora tem tentado chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano, Rouhani tem viajado a várias cidades para vender à população as vantagens de negociar com o profundamente desacreditado Ocidente.

“Iremos às Nações Unidas, onde foram adotadas as sanções contra nós, e elas serão levantadas”, disse o presidente, destacando o progresso nas conversações nucleares como uma vitória diplomática da República Islâmica.

O Irã deve alcançar até o dia 30 um acordo final com as seis potências – China, França, Rússia, Grã-Bretanha, EUA e Alemanha – sobre uma redução de seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções. Mas os negociadores iranianos têm sido criticados pelos conservadores, para quem eles estão fazendo muitas concessões. 

Rouhani tenta reduzir essas críticas ao destacar as dificuldades diárias da população iraniana sob as sanções impostas pelos EUA e pela ONU. “Os que dizem que as sanções não são importantes não sabem o que se passa nos bolsos dos cidadãos”, disse, referindo-se aos elevados preços dos produtos importados.

Em seus outros discursos, Rouhani disse que seu governo vem adotando medidas para melhorar questões como saúde, segurança alimentar e meio ambiente, argumentando que o levantamento das sanções levará a mais progresso.

No sábado, 13, em uma entrevista coletiva também sobre o aniversário de sua eleição, Rouhani advertiu que um acordo final pode ser adiado se as potências apresentarem novas demandas nas negociações. Ele também disse que pode demorar semanas ou meses para que as sanções sejam levantadas após um acordo final.

Israel. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, acusou ontem as potências mundiais de fazerem muitas concessões ao Irã para alcançar um acordo até o dia 30, apesar de Teerã rejeitar inspeções rigorosas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Netanyahu argumentou que o acordo não impedirá que o Irã – que assegura que seu programa nuclear tem fins pacíficos – tente construir uma bomba.

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