EFE/Cesare Abbate
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Roma, Paris e Berlim buscam relançar a União Europeia

Em cúpula na Itália, líderes decidem ampliar investimentos e reforçar fronteiras externas

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2016 | 20h07

Abalada pelo plebiscito que determinou a saída do Reino Unido, a União Europeia começou nesta segunda-feira, 22, a definir sua estratégia para enfrentar a crise interna e o crescimento dos movimentos populistas. 

Em uma reunião de cúpula realizada na ilha italiana de Ventotene, líderes de Itália, França e Alemanha decidiram mudar os rumos políticos do bloco, reduzindo a ênfase em temas técnicos, como orçamento, finanças e austeridade, e acentuando a preocupação com crescimento, emprego, educação e apoio à juventude.

A reunião marcou o retorno de férias do primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, do presidente da França, François Hollande, e da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Os três chefes de governo encontraram-se em um local simbólico, onde está sepultado Altiero Spinelli, um dos grandes inspiradores de uma Europa federal, mais tarde perseguido e preso pelo fascista Benito Mussolini. 

O pano de fundo foi claro: mais integração deve ser a resposta contra o avanço dos partidos neopopulistas e fascistas – que crescem nos três países graças às críticas à União Europeia. 

Hollande pediu que o plano da Comissão Europeia de investir € 315 bilhões entre 2015 e 2018 em medidas de relançamento do crescimento e do nível de emprego seja duplicado e enumerou três prioridades pós-Brexit – a saída do Reino Unido da UE.

A primeira é o reforço das fronteiras externas da UE, cuja porosidade durante a crise dos refugiados de 2015 é apontada por analistas como um dos fatores determinantes do voto britânico contrário ao bloco. 

O presidente francês defendeu a criação de uma Guarda de Fronteiras e uma Guarda Costeira integrada, que padronizará a política de segurança exterior. Com a França abalada por uma onda de atentados terroristas, Hollande fixou a maior integração em Defesa, incluindo mais investimentos e o reforço das “forças de projeção” – aquelas capazes de agir fora da Europa – como sua segunda prioridade.

 

O terceiro ponto foi a ampliação do programa de educação superior Erasmus, que foi uma das locomotivas do espírito europeu ao promover intercâmbios universitários. 

Renzi também exortou a UE a alterar seu discurso, mudando a ênfase da estabilidade financeira e do combate às dívidas nacionais para o apoio às populações mais fragilizadas, em especial a juventude. Juntos, os três líderes prepararam as linhas gerais de uma proposta que será levada à cúpula de Bratislava, na Eslováquia, no dia 16. 

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