Romênia teme que expulsão de ciganos gere xenofobia

O ministro de Relações Exteriores da Romênia, Teodor Baconschi, disse hoje que ainda espera que a expulsão de ciganos romenos da França seja feita sob os termos da lei. Ele também se diz preocupado com o possível uso político do assunto, bem como com as possíveis consequências discriminatórias para a minoria.

AE-AP, Agência Estado

18 de agosto de 2010 | 18h02

O governo francês programou para a amanhã o primeiro voo fretado que deportará ciganos que viviam em acampamentos ilegais de volta para Romênia e a Bulgária. "Quero expressar minha preocupação pelo risco de uma reação populista e com a geração de reações xenófobas, com uma crise econômica como pano de fundo", disse Baconschi, à rádio RFI.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da França, Brice Hortefeux, disse que Paris e Bucareste estão colaborando estreitamente na questão. Na semana passada, o braço da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o racismo expressou seu temor com as operações francesas contra os ciganos romenos e búlgaros.

A ONU também se diz preocupada com outra das propostas do presidente francês Nicolas Sarkozy, de revogar a cidadania francesa de pessoas de origem estrangeira que coloquem em risco a vida dos policiais.

Cristian Boti, um cigano romeno de 24 anos de idade e pai de dois filhos, vive na França desde 2003, passando de um acampamento a outro enquanto ganha a vida recolhendo lixo e sucata. Boti diz que existe muito menos discriminação contra os ciganos na França do que na Romênia. "Se me mandam de volta para Romênia, volto para cá", afirmou, ante a possibilidade de ser deportado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.