Charles Dharapak/AP
Charles Dharapak/AP

Romney concentra ataques em política externa de Obama

Republicano relativiza sucessos do democrata na área e critica reação à morte de embaixador na Líbia

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

08 de outubro de 2012 | 14h41

Texto atualizado às 21h23

WASHINGTON - O candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, fez uma série de críticas à política externa de seu rival nas urnas e presidente do país, o democrata Barack Obama, nesta segunda-feira,8. Na opinião do republicano, o presidente falhou ao lidar com o Irã, a Líbia, a atual guerra civil na Síria, a retirada militar do Iraque e o processo de paz entre Israel e Palestina. Romney insistiu "não ser a esperança uma estratégia" e prometeu não permitir cortes no orçamento do Pentágono.

Veja também:

tabela ESPECIAL: Eleições nos EUA

link Romney ultrapassa Obama em 3 Estados decisivos nas eleições dos EUA

"Eu sei que o presidente espera por um Oriente Médio mais seguro, livre e próspero, com os EUA como seus aliados. Eu compartilho dessa esperança. Mas esperança não é estratégia", afirmou. "Nós não podemos apoiar nossos amigos e derrotar nossos inimigos no Oriente Médio quando nossas palavras não são sustentadas em fatos, nosso orçamento de Defesa é cortado de forma arbitrária e profunda, quando não temos agenda de comércio e quando nossa estratégia não é percebida como de parceria, mas de passividade."

Romney escolheu o Instituto Militar de Virgínia, em Lexington, para fazer seu principal discurso sobre política externa e de defesa. O tema deverá ser questionado por Obama nos próximos debates, com audiência de dezenas de milhões de americanos. Em discursos anteriores a plateias militares e de veteranos, Romney já explorara o desejo de parte dos americanos de ver recuperada a ação hegemônica dos EUA no mundo. "A segurança da América e a causa da liberdade não podem desperdiçar mais quatro anos com a mesma política", insistiu.

Suas principais críticas à politica exterior do governo democrata se concentraram na Líbia, em especial, no episódio do ataque ao consulado americano em Benghazi em setembro passado, que resultou na morte do embaixador Jay Christopher Stevens e de outros três funcionários do Departamento de Estado. Para Romney, Obama demorou demais para atribuir a violência a terroristas e enxergar que a rejeição à presença dos EUA estava disseminada em vários países da região. "Os ataques contra a América, no mês passado, não podem ser vistos como aleatórios", disse.

O discurso do republicano foi pontuado por críticas duras a decisões tomadas pelo governo de Obama. Mas não apontou com clareza as alternativas a serem adotadas em um eventual governo de Romney. O candidato afirmou que não hesitaria em aplicar mais sanções sobre o Irã e criticou a ausência de maior respaldo dos EUA a Israel. Não chegou, porém, a mencionar se respaldaria um ataque de Israel às instalações nucleares iranianas. Tampouco indicou sua abordagem para obter de palestinos e israelenses um acordo de paz.

Al-Qaeda

Romney considerou como louváveis os trabalhos das forças militares e de inteligência americanas na guerra contra a Al-Qaeda no Paquistão e no Afeganistão. Mas não atribuiu sucessos alcançados, entre eles a morte do líder terrorista Osa Bin Laden, ao governo Obama. Preferiu, ao contrário, sublinhar que a Al-Qaeda continua forte no Iêmen, Somália, Líbia e Síria, assim como outros grupos do terror continuam a ganhar terreno na região. "Aviões não pilotados e instrumentos modernos de guerra são importantes na nossa luta, mas não substituem uma estratégia de segurança nacional para o Oriente Médio", afirmou.

América Latina recebeu pouca atenção de Romney, que criticou Obama por não ter apoiado os setores que resistem "à ideologia falida de Hugo Chávez e dos irmãos (Raúl e Fidel) Castro". Chávez fora reeleito no dia anterior como presidente da Venezuela. O Brasil e a Índia, duas das maiores potências emergentes, foram ignoradas no discurso. A China foi mencionada como potencial ameaça à paz na Ásia, mas Romney prometeu "ser flexível" com Vladimir Putin, presidente da Rússia, se for eleito em novembro.

O time de conselheiros de Romney para a área internacional é comandado pelo ex-presidente do Banco Mundial e ex-representante de Comércio dos EUA Robert Zoellick, já apontado como o provável secretário de Estado de um eventual governo republicano. Entre os apoios recebidos por Romney estão o de Henry Kissinger, ex-secretário de Estado.

Críticas

As visões sobre política externa entre os republicanos, entretanto, não é são unificadas quanto para os temas fiscais. O próprio Kissinger considerou "deploráveis" as posições de Romney e de Obama sobre a China. Outro setor do partido acredita haver limites claros ao que os EUA possam fazer no mundo atual. Mas o diretor de política exterior da campanha de Romney, Alex Wong, acredita ser possível "restaurar a estratégia que bem nos serviu nos últimos 70 anos".

Em entrevista à imprensa organizada pela campanha de Obama, a ex-secretária de Estado Madeleine Albright afirmou que teria dado uma nota média para Romney , se fosse o candidato seu aluno. "Ele foi muito superficial. Seu discurso foi cheio de platitudes e sem substância", afirmou Albright. "Eu gostaria de perguntar o que ele fará de diferente.".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.