Romney critica Obama, mas não dá opções melhores

Análise: Mark Landler / NYT

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2012 | 03h09

O massacre de mais de cem civis, entre eles muitas crianças, ocorrido na Síria durante o fim de semana, apresentou a Mitt Romney uma nova oportunidade de repetir um tema comum: a política externa do presidente Barack Obama é ineficaz e covarde. Romney, provável candidato republicano à presidência, condenou Obama por sua "política de paralisia" em relação à Síria, que teria permitido ao presidente Bashar Assad "massacrar 10 mil pessoas".

Mas as recomendações de Romney para pôr fim ao número cada vez maior de mortos na Síria foram menos definitivas do que suas denúncias contra o presidente. Ele pediu que os EUA "trabalhem com os parceiros para organizar e armar grupos da oposição síria para que eles possam se defender" - uma política que iria um pouco além da de Obama, mas não chega a incluir os ataques aéreos defendidos pelos senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham.

A Casa Branca rejeitou a ideia de armar grupos rebeldes sírios, mas essa possibilidade também divide os republicanos. Tal cautela reflete tanto as complexidades do levante sírio quanto a admissão de que os americanos têm pouco interesse por um novo envolvimento militar em larga escala. Até os grupos de defesa dos direitos humanos se abstêm de exigir uma intervenção.

Isso não significa que Obama tenha escapado das críticas a sua abordagem cautelosa com a Síria. Alguns analistas dizem que ele perdeu uma oportunidade de expulsar Assad logo no início do levante, preferindo apelar a uma transição política organizada. Outros críticos disseram que a Casa Branca fracassou também no desempenho de um papel de liderança, mesmo ao anunciar a expulsão do diplomata sírio enviado aos EUA.

Ainda assim, os defensores de uma linha mais dura reconhecem que nenhum dos partidos ofereceria apoio suficiente para uma intervenção militar. Um porta-voz da campanha de Obama, Ben LaBolt, disse que Romney não oferecia "nada além de palavras duras, do compromisso com guerras intermináveis no Iraque e no Afeganistão, e de uma pauta sem rumo para a política externa". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.